Protestou na contramão atrapalhando o tráfego

Protestbazarar: “Reclamar; expressar oposição, revolta; apresentar uma reclamação“. Esta é a definição dada ao verbo protestar em um dicionário on-line (dicio.com.br). Pois não é que, a cada manifestação destas, deparo-me com manchetes de alguns colegas jornalistas (que me desculpem eles!) expressando manchetes do tipo: “Protesto atrapalha o trânsito“. Isso é mais ou menos como noticiar um atropelamento aos moldes de Chico Buarque, na música Construção: “Morreu na contramão atrapalhando o tráfego“. Ora, para quê serve um protesto que não atrapalhe ninguém? Eu, na sala de casa, aos gritos, não faço um protesto. Não sou notado por ninguém! – no máximo pela síndica do prédio, que chamará a polícia ou uma ambulância. Pois não é que Porto Alegre amanheceu com mais um protesto nesta segunda-feira?! Mas este não era um protesto para atrapalhar o trânsito. Aliás, qual protesto serve para isso? Este tinha um fim, como todos!

O protesto desta manhã foi organizado por moradores da ocupação Bela vista, localizada no bairro Rubem Berta, que pretende adiar a reintegração de posse da área exigida pela Justiça. Para isso, fizeram uma caminhada pelas principais avenidas do Centro, rumando à Prefeitura Municipal e posteriormente à Assembleia Legislativa. Pois bem, você pode rebatê-los, dizendo que eles – ao trancar o trânsito – não permitiram o direito constitucional de ir e vir. Ok. Dê-lhes outra maneira de realizar tal protesto e serem igualmente ouvidos pelas autoridades. De que outra maneira ganhariam manchetes de jornais/sites/rádios (mesmo que não expressando o real sentido da manifestação)? Aliás, não se esqueça que o direito à moradia também está garantido na Constituição e, é justamente o fato de não ter isso garantido pelo governo, lhes causa a revolta. Dezenas, quem sabe centenas de famílias, despejadas às vésperas do Natal não são um belo motivo para “reclamar, expressar oposição, revolta“? Não estou na pele deles, mas deve ser desesperador, meu amigo!

Talvez você não, mas alguém próximo a você já disse: “Quer protestar, protesta! Mas não pode fazer quebra-quebra!“. Desta vez isso não ocorreu! Nenhum pneu ou automóvel incendiado. Nenhum confronto físico com a polícia. Foi uma manifestação totalmente pacífica! Concordo que deve ter sido massante para você ficar preso dentro do carro, sem saída, chegando atrasado ao trabalho. Mas e eles? Você acha que eles gostaram de estar ali, embaixo do sol, carregando cartazes, gritando por algo bem maior do que chegar atrasado ao trabalho? Era uma reivindicação por MORADIA! Até porque, sem endereço fixo, nem trabalho muitos deles conseguem garantir. Você não faria o mesmo?

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