E se John Lennon estivesse vivo?

bazarDizem por aí que é melhor não se conhecer um ídolo pessoalmente, para não se decepcionar. Talvez por isso tantas pessoas amem Jesus Cristo… Peguei pesado, né? Bom, por pior que possa ter sido a sua reação, não chega nem perto do que aconteceu quando John Lennon comparou os Beatles ao ‘filho de Deus’. Cristãos organizaram fogueiras com os discos dos garotos de Liverpool e rádios boicotaram suas músicas. Pois bem, eu disse tudo isso porque hoje se completa 35 anos da morte de Lennon. E, a cada primavera que passa, me pego a questionar: “E se ele estivesse vivo?“. E se tivesse sobrevivido aos tiros que o assassinaram na frente do edifício Dakota, em Nova York? Vamos tentar imaginá-lo. Imagine!

– Música

Ringo Starr disse ao jornal The Mirror, em 2013, que se Lennon estivesse vivo, os Beatles poderiam ter voltado a tocar juntos. Ok, pode até ser. Algo como ocorreu com o Pink Floyd, quando seus integrantes fizeram shows em 2005 e 2013. Mas nada demais! Sem novo disco de estúdio ou algo do gênero. Apenas um encontro esporádico e olhe lá! Aliás, a rivalidade com Paul McCartney poderia fazer com que Lennon tivesse lançado um álbum recentemente, como o fez Paul com ‘New’ há dois anos. Talvez a banda de Lennon tivesse um de seus filhos – possivelmente Sean, filho de Yoko Ono -, também músicos. Mas John era tão desapegado como artista que poderia estar fazendo carreira em outras áreas que não a música. Poderia estar escrevendo livros (que já o fez na época dos Beatles); pintando quadros (ele desenhava); ou até contracenando em filmes (gravou alguns com seus companheiros de banda e, quem sabe, estaria se arriscando na carreira de ator, como David Bowie, por exemplo).

– Amor

Basta pensar no casal perfeito que se chega à imagem de John e Yoko. Pelo menos para mim, por muito tempo, foi assim. Até que li sua biografia escrita por Phil Norman e soube que nem sempre foi um mar de rosas. Eles tiveram brigas homéricas por ciúmes (a música ‘Jealous Guy’ cita esta passagem). Chegaram inclusive a se separar por um tempo! Por isso, não me espantaria se John não estivesse hoje ainda casado com a japonesa. Aliás, não me espantaria se o beatle se assumisse como bissexual! A própria Yoko, em entrevista recente, declarou que o casal conversava sobre a possibilidade de todos humanos serem bissexuais inibidos pelos costumes da sociedade (fala-se inclusive que o empresário dos Beatles que era gay, Brian Epstein, era apaixonado por John). Portanto, Lennon bem poderia estar hoje casado com um homem. Por que não? E digo mais: aos moldes do que fez ao se apresentar com uma asiática em um período em que os Estados Unidos guerreavam com o Vietnã e a China comunista, o músico poderia apresentar-se de mãos dadas com um homem de origem árabe. Seria um choque!

– Política

No final de sua vida, John foi um ativista político. Engajou-se em algumas causas, incluindo participação em passeatas homossexuais (o que tem a ver com o tópico acima); fez show no mesmo palco em que os ‘Panteras Negras’ lutavam contra o racismo e pediam a libertação de John Sinclair – ativista antiguerra preso nos Estados Unidos por porte de maconha. Lennon dava indícios em suas últimas músicas, como ‘Give Peace a Chance’ e a famosa ‘Imagine’ de que defendia um mundo sem guerras, sem divisões e anárquico. Por fim, depois de aterrorizar as famílias cristãs na década de 60 e envolver-se com o hinduísmo (influenciado pelo colega de banda George Harrison), John poderia ser um porta-estandarte dos ateus ou agnósticos. A canção ‘God’ fala por si só. Resumindo, fazer campanha política para eleger Barack Obama como o primeiro presidente negro norte-americano seria brincadeira de criança perto das ‘brigas políticas’ que John poderia comprar. Em tempos de ‘islamofobia’, é melhor nem imaginar por onde ele andaria vivendo. O debate sobre a regulamentação das drogas já estaria aberto há um bom tempo, com certeza.

– Outras possibilidades

Enfim, todos estes prognósticos poderiam ser frustrados. John Lennon poderia estar muito rico, desiludido de todas suas utopias e apenas preocupado em lançar mais um disco de sucesso (depois de décadas de fracasso e ostracismo). Difícil imaginar. É melhor tê-lo morto mesmo, e apenas aplaudir o que foi possível acompanhar deste gênio rebelde da música contemporânea.

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