Dá para ter um Bom Senso FC em Brasília

bazarConfesso que sou um homem de bandeiras. Mesmo sabendo que ao serem erguidas por aí, as bandeiras deixam de ser orquestradas pelo homem, e sim pelo vento, eu teimo em erguê-las. Creio sempre que as pessoas vão me oferecer o que têm de melhor, e não o contrário. Soa ingênuo, mas sou assim. Seja na política ou futebol, sou adepto da Utopia Futebol Clube. Mas, enquanto não fundo o meu ‘time’, acompanho com atenção o que faz o Bom Senso F.C. No último fim de semana, conversei com Ricardo Martins, diretor executivo do movimento. Gostei do que ouvi! Em meio às investigações que afastaram Ricardo Teixeira, José Maria Marín e Marco Polo Del Nero, o sociólogo não toma partido entre Coronel Nunes e Delfim Peixoto (dois candidatos que vão bipolarizar a disputa pela presidência da CBF). Eles querem mudar as regras do jogo. Ótimo! Podem levar tudo isso para a política partidária?

Na CBF, Del Nero resolveu se afastar para argumentar sua defesa junto ao FBI. Com isso, indicou ao cargo interino Marcus Vicente, deputado federal pelo PP (argh!) e ex-presidente da Federação Capixaba por 20 anos. Entretanto, já articulou a candidatura de Antônio Nunes, presidente da Federação Paraense de Futebol, ao cargo de vice-presidente da entidade – vaga deixada em aberto por Marin, preso nos Estados Unidos. A indicação dele não é por acaso! ‘Coronel’ Nunes, como é chamado, tem 79 anos (5 a mais que Delfim Peixoto, presidente da Federação Catarinense). Como o cargo de mandatário máximo do futebol brasileiro cai no colo do mais velho vice-presidente, o paraense passaria à frente do representante de Santa Catarina, que depois de anos de apoio incondicional a Teixeira, passou a ser visto como oposição. Ou seja, todos eles são filhos do mesmo modelo de gestão desportiva: obscuro e obsoleto. Por isso é preciso mudar as regras do jogo, para depois propor nomes – como Raí, Zico, Leonardo, entre outros que apoiam o Bom Senso.

O mesmo cabe à corrida presidencial no Brasil. Nesta quinta-feira, Luciana Genro (que foi candidata no último pleito pelo PSOL) lançou nota exigindo novas eleições para 2016. Tenho maior apreço pela candidata – tanto que até pensei em votar nela para primeiro turno e só não o fiz porque estava trabalhando fora de Porto Alegre e justifiquei o voto -, mas ela foi muito ingênua no posicionamento. Com exceção do PMDB, todos estão ávidos por ir às urnas amanhã: Aécio Neves do PSDB, Marina Silva da Rede e Jair Bolsonaro do PP (argh! de novo). Ou seja, todos filhos do mesmo modelo de gestão política! São os Delfins Peixotos e Coronéis Nunes brigando pelo Palácio do Planalto. Eu via no PSOL o Bom Senso FC da política brasileira. O partido que vinha propondo o fim dos financiamentos privados de campanhas e uma rediscussão do novo modelo de política não pode achar que vai brigar de igual para igual em um jogo em que as regras seguem as mesmas, em que o sistema se autoprotege. Que o diga a Câmara de Deputados com as manobras políticas de Eduardo Cunha! De duas, uma: ou me enganei com o PSOL, ou a nota de Luciana foi um deslumbre momentâneo. Se bobear, fundo meu ‘Utopia Futebol Clube’ e vou para dentro deles! Ou simplesmente, levem o Bom Senso FC para Brasília.

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