Antes de eu saber pescar, alguém me deu o peixe

bazar
Quando eu mal sabia ler e não trabalhava em lugar nenhum, ganhei o peixe na boca. E como era bom! Não sabia de onde vinha o pão e o leite, mas sempre os via em cima da mesa. E ainda reclamava porque queria sempre mais: eu quero tomar iogurte! Sempre ganhei tudo o que quis, desde que fosse bem na escola. Entretanto, até quando derrapava nas notas escolares (e admito, foram poucas vezes), não deixava de ser bem alimentado. Confesso que ‘mamei nas tetas’! Muitas vezes usei daquele dinheiro que me davam para comprar bebida alcoólica, para fazer festa, para gastar em bobagem. E o fazia sem o mínimo peso na consciência. Fiquei por bons anos apenas ganhando o peixe, sem aprender a pescar. Falo do Bolsa Família ou do bolso do meu pai?

Aos poucos, fui crescendo e, pressionado a estudar, escolher uma profissão. Até que arranjei ‘Meu Primeiro Emprego’. No segundo grau, ainda fui matriculado em um curso técnico. Pouco aproveitei, matei aulas, mas concluí e tenho o diploma guardado até hoje. Não gastei um tostão com aquele curso técnico! O mesmo aconteceu com a faculdade, em que fiz o vestibular e passei. No início, encarava os estudos como hobby, um lugar para conhecer mulheres, amigos e fazer festa. Até que me dei conta: dali viria o meu sustento. Demorou, mas entrei nos trilhos! Quem pagou minha universidade particular: meu país ou meus pais?

Já formado, tive dificuldade em ingressar no mercado de trabalho. Precisei morar de favor em algumas casas, saí da minha cidade natal e, depois de algum tempo racionando comida e dinheiro, consegui ajustar as contas. Até o dia em que fui comunicado: conseguiria ter meu próprio apartamento. É claro que ele foi-me dado, pois com meu salário mal conseguia pagar o aluguel. Quem me deu o apartamento: “Minha casa, Minha vida” ou meu pai?

Às vezes me queixo da vida, sem perceber de onde sai e aonde cheguei. Repenso e sou muito grato a quem me financiou e investiu em mim para chegar até aqui. No meu caso, foram meus pais. E eles fizeram isso só para eu amá-los mais, para eu votar neles? Não, eles queriam me ver prosperar. Talvez até por instinto, pois se eu tiver meu próprio soldo, um dia não precisarei mais deles para sobreviver. Mas e se eu não os tivesse, ou se eles não tivessem condição de fazê-lo? Eu poderia ter o governo a me ajudar. Um governo paternalista, sim! E se eu não evoluísse na vida, a culpa seria deles? Acho que não. Tenho amigos que pararam no primeiro ‘estágio’, seguem ‘mamando nas tetas’ dos pais, morando embaixo de seus tetos. Então, por que te faz tão mal quando alguém para no ‘Bolsa Família’? Há tantos outros exemplos de pessoas que usam os programas do governo para evoluir na vida. Assim como eu usei os programas do meu pai para evoluir na minha.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s