O exemplo francês: dos males, o menor

bazarA extrema-direita parece ganhar voz no mundo. Não é só no Brasil que falsos moralistas, que respingam pensamentos retrógrados com relação à sociedade – como Jair Bolsonaro (PP) e Marco Feliciano (PSC) -, vêm ganhando espaço na política. Na Alemanha, os neonazistas começam a aparecer no Parlamento através do Partido Nacional Democrata (NPD). Fato semelhante acontece nos países escandinavos, através de ultranacionalistas que adotam o discurso xenófobo, elegendo parlamentares na Suécia e Dinamarca. Até mesmo na Grécia, que agora tem o Syriza (partido de esquerda) com o cargo de primeiro-ministro, 10% dos votos foram destinados à Aurora Dourada – considerada neonazista. Mas, sem dúvidas, o maior exemplo veio nas eleições municipais da França neste domingo.

Após um primeiro turno onde a Frente Nacional indicava que venceria em 6 das 13 regiões francesas, houve uma reviravolta. Surfando na onda dos ataques terroristas, o partido adotou um discurso típico da extrema-direita, de expulsão dos refugiados e contra o islamismo. Imprimiu medo contra o medo, algo que vem ocorrendo também também pelo candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump. Porém, assustados com a adesão a este discurso, o Partido Socialista (do atual presidente François Hollande), resolveu abandonar o pleito em algumas regiões e apoiar candidatos do Les Républicains, de seu rival e antecessor Nicolas Sarkozy. Em resumo, a esquerda apoiou os candidatos de centro-direita, para não ver a extrema-direita ganhar corpo. Deve ter pensado: dos males, o menor. O resultado foi certeiro! Das 13 regiões, 7 ficaram com a direita, 5 com a esquerda e nenhuma com a extrema-direita. Bingo!

Pensamento semelhante me ocorreu em 2014 aqui no Brasil. Basta me conhecer (ou ler um pouco), para perceber que tenho atração a ditas bandeiras de esquerda (casamento gay, regulamentação da maconha, taxação de grandes fortunas, não à redução da maioridade penal). Logo, acabo votando em candidatos do PSOL, PCdoB, etc. No pleito presidencial para 1º turno, acabei não votando em nenhum. Estava trabalhando como jornalista em Belo Horizonte, acompanhando as movimentações do candidato Aécio Neves (PSDB). No voo de volta, depois de ouvir uma enxurrada de pensamentos retrógrados e extremistas – seja nas ruas ou nas redes sociais -, cheguei em casa disposto a votar no PSDB no 2º turno. Estaria eu traindo minhas convicções ideológicas, ao não entregar meu voto ao PT, partido mais deslocado à esquerda em relação ao PSDB? Na minha cabeça, era hora de se dar por vencido. Enxerguei que poderia estar fazendo um bem à conjuntura política e ao estanque momentâneo das vozes que multiplicam a homofobia, racismo, machismo e incentivam a volta da ditadura militar no país. Foram dias pensando nisso, até que vi Bolsonaro, Feliciano, Agripino Maia (DEM) e tantos outros dando apoio ao candidato da direita. Revi meu posicionamento. Fiquei do lado contrário ao deles mais uma vez! Mesmo que tenha me causado uma úlcera ver as fotos de Michel Temer e Dilma Rousseff na urna eletrônica.

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