Se eu não quiser ir para a rua, eu não vou

bazarUma das coisas que mais me dá nos nervos ultimamente é ouvir/ler a seguinte frase: “vivemos uma ditadura aqui no Brasil”. Basta ter mais de um neurônio para chegar à conclusão de que não, não vivemos uma ditadura. Nem bolivariana, militar, de esquerda, de direita, pra cima, baixo, meia-lua para frente e Y. A prova disso é que milhares de brasileiros foram às ruas neste domingo, mais uma vez, para protestar contra o governo. E simplesmente não há nenhum registro de algum preso político. Houve inclusive, novamente, quem preferisse tirar selfie com os policiais. Convenhamos, nem se compara com as décadas de 60 e 70 em que qualquer manifestação de cunho político terminava em sirene, bomba e cacetada. Também não chega perto da Venezuela onde, por exemplo, um opositor de Nicolás Maduro foi baleado durante comício. Nada a ver! Mas isso não quer dizer que eu precise ir à rua. Pelo contrário!

Desde fevereiro, vivemos o Campeonato Brasileiro de Protestos. As pessoas sentem necessidade de contabilizar qual ‘lado’ colocou mais manifestantes na rua. A Polícia Militar divulga que foram X, mas os organizadores falam em X³. Se eu não for à rua pedir o impeachment de Dilma, sou ‘petralha’ e ‘comunista’. Se não apoiar incondicionalmente o governo, sou ‘coxinha’ e ‘tucano’. Alto lá! Tenho muitas reclamações com relação ao governo PT, mas nem por isso apoio o impedimento da presidente da República. Aguardo sim com ansiedade que as investigações cheguem ao seu nome e às suas contas. Encontrando alguma irregularidade, estarei disposto a apoiar sua queda. Do contrário, nego-me a bater de ombros com pessoas que fecham os olhos para a corrupção (comprovada pela polícia suíça) do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Nego-me a dividir calçada com velhinhos saudosos e jovens alienados amantes da ditadura militar. Sou contra qualquer tipo de governo ditatorial! Tampouco vestiria a camisa da Seleção Brasileira, com o escudo sujo da CBF do lado esquerdo do peito, para pedir hipocritamente o fim da corrupção no país.

Também não vi motivo nenhum para desfilar pelo centro de Porto Alegre na última sexta-feira, ao lado de sindicatos como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), que presta defesa incondicional ao PT. Não, não sou assim! Não ponho minha mão no fogo por ninguém. Quero aguardar em casa a sequência das investigações da Operação Lava-Jato, Zelotes, Mensalão Petista, Tucano, Anões do Orçamento, etc… Não preciso sair à rua para defendê-los. Não quero marchar ao lado de Stédiles e nem de Kataguiris – cegos de lados opostos. Mas se ao final deste texto ainda achas que sou um acomodado, e de certa forma condizente com um governo corrupto e ditatorial de esquerda, fico com a mensagem que vi na televisão (pasme, no Faustão, vinda do ator Alexandre Nero): “Menos opinião e mais conhecimento“. Como vivemos em uma democracia, me dou o direito de não ir à rua. Não desta vez!

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