PMDB: uma oposição confiável e uma coligação em desconfiança

PrintEstá deflagrado o tiroteio interno no PMDB! Depois que o presidente do Senado, Renan Calheiros, criticou publicamente Michel Temer (vice-presidente da República e mandatário do partido) chamando-o de “coronel”, veio uma nota oficial do partido para retrucar. O melhor ficou por conta da frase dita por Calheiros, de que Ulysses Guimarães estaria a “tremer na cova” pelo retrocesso do partido. A nota fez questão de lembrar que esta possibilidade estava descartada, até porque Ulysses – grande líder das ‘Diretas Já’ e uma das cabeças pensantes da Constituição de 1988 – morreu em um acidente de helicóptero e seu corpo jamais foi achado no fundo do mar. Um tabefe com um livro de história! Mas afinal de contas, o que ocorre com o PMDB?

Tenho uma leitura bem particular sobre o partido. Custo a acreditar na idoneidade de quem nunca (ou poucas vezes) faz oposição. Óbvio que o partido já teve em seus quadros grandes nomes da política brasileira – como o próprio Ulysses Guimarães -, entretanto não consigo engolir o fato de que ele esteve presente em todos os governos desde a Ditadura Militar. Alguém dirá: “mas o partido foi oposição na ditadura!“. Ok, os ‘Anos de Chumbo’ não pouparam crianças, estudantes, professores e políticos da tortura e da morte. Por que se daria ao luxo de ter uma oposição? Porque esta seria uma oposição ‘confiável’. Logicamente, o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) teve membros cassados, perseguidos, presos. Mas não é necessário pensar muito para chegar à conclusão de que algo estranho tinham aqueles que foram permitidos. No mínimo, um silêncio conveniente.

A situação fica evidente quando da abertura política em 1985. Ao deixar o Planalto, os militares fizeram questão de indicar o seu candidato: o ex-UDN, ex-Arena e agora PMDB, José Sarney. Ao longo dos anos, o partido seguiu na mesma comodidade contra os vencedores: fez oposição a Collor, ganhou ministérios e só se voltou contra quando a cama estava armada para o Impeachment (coincidência, né?); apoiou a reeleição de Fernando Henrique Cardoso; esmolou ministérios de Lula, mesmo depois de ter participado da chapa com José Serra nas eleições; por fim, teve o candidato a vice de Dilma. Mas como é de seu DNA, ao passo que se apresenta como oposição, não pensa duas vezes quando o papo é ganhar pastas para ser governo. E ao ser governo, passa de ‘oposição confiável’ a ‘coligação em desconfiança’. Que o digam militares, Collor, Serra e Dilma! Não há problema em criticar a figura de Che Guevara, só não precisa se tornar uma antítese perfeita da frase do guerrilheiro comunista: “Se hay gobierno, soy contra“. No caso do PMDB, se há governo, está dentro. Como oposição confiável ou coligação em desconfiança.

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