Meu Natal pagão

bazar2Jesus Cristo é um personagem controverso. Se ele realmente nasceu no dia 25 de dezembro, por que o ano só vai acabar daqui a seis dias? Sim, pois se o calendário cristão – que tem 2015 anos – começa a ser contado a partir de seu nascimento, Jesus deveria ter nascido no dia 1º de janeiro, não?! Ora, então você vai comemorar o aniversário de quem? Sinto informar-lhe que esta é apenas uma data escolhida por Constantino para conciliar os ritos ‘pagãos’ dos romanos com os cristãos do ocidente. Tudo pelo bem da expansão do antigo Império Romano! Bom, a esta altura do texto você está praguejando contra mim, um maldito ateu, né? Acalme-se, é Natal! E onde está o espírito natalino? É justamente esta a mensagem que quero deixar no dia de hoje. Não se atenha à imagem, mas à mensagem de Jesus (se é que ele realmente existiu). Melhor: atenha-se à mensagem que foi atribuída a ele!

A figura de Jesus para os cristãos tem a mesma representatividade de Tamuz, deus da Suméria e Fenícia (aliás, este também teria nascido no dia 25 de dezembro!). Ainda há Hórus, considerado o deus sol para os antigos egípcios. E Mitra, o deus persa. Você provavelmente também ouviu falar em Buda! E Krishna? Então, não se sinta envergonhado ou com raiva de mim. São muitos os seres mitológicos, cada um em seu espaço geográfico e tempo, mas com similitudes entre si. Dentre todos eles, no entanto, a mensagem que ficou ao mundo ocidental é a de Jesus. Uma mensagem de paz, de conciliação entre os homens, de menos ganância, de distribuição de riquezas aos pobres, de igualdade. Se estivesse vivo hoje, seria só mais um a receber o rótulo de ‘esquerdopata’ a favor da reforma agrária. Relaxe! Jesus Cristo, se realmente passou por este planeta, poderia ter seu discurso facilmente comparado a tantas outras figuras contemporâneas, como Mahatma Gandhi ou Madre Teresa de Calcutá. Logo, se você admira tanto ele, desarme-se. De nada adianta uma árvore iluminada, abarrotada de presentes caros, e um banquete no jantar. Isso não tem nada a ver com o tal ‘homem de Nazaré’. Afinal de contas, que diabos é Papai Noel senão uma ação de marketing muito bem sucedida?

Para mim, o Natal sempre foi a noite em que minha família se reunia para festejar a vida. Senão em sua totalidade, praticamente. Meus avós maternos, meus pais, meu irmão, meus tios, primos, primos de segundo grau. Comíamos bem. Dançávamos, bebíamos, dávamos muitas risadas. Passamos noites muito felizes! O presente talvez fosse apenas um pretexto para pensar um pouco mais no outro, no que ele realmente gosta, de que forma vou agradá-lo. E no final, um abraço apertado, desejando-lhe com muita sinceridade a maior felicidade do mundo seguida de um próspero Ano Novo. Não é isso? Logo, pouco importa se Jesus nasceu ou não neste dia. Aliás, esqueça-se do cabeludo com coroa de espinhos, ou do gordinho com cara de criança, ou do homem com cabeça de águia, ou da criança de pele azul que toca flauta. Curta mais a sua família. Seja feliz em paz consigo mesmo.

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