Nem todo dinheiro (chinês ou não) traz felicidade

bazarDinheiro não traz felicidade, mas manda trazer.” Você, com certeza, já deve ter ouvido esta afirmação. Ok, pode até ter um fundo de verdade. Acontece que estamos nos tornando escravos do dinheiro. Ele sempre acaba ficando em primeiro lugar, acima inclusive da felicidade. Já não importa mais o que você quer ser, comprar, obter. Interessa que você precisa ter cada vez mais dinheiro na conta do banco. Bom, fiz toda essa introdução para expressar minha inconformidade com a quantidade de jogadores que têm deixado o Brasil para jogar em mercados obscuros do futebol – como Oriente Médio e China. A última bola da vez, ao que tudo indica, foi Renato Augusto, do Corinthians.

Escolhido por muitos jornalistas, incluindo a mim, como o melhor jogador do último Campeonato Brasileiro, Renato Augusto recebeu proposta de R$ 2 milhões mensais para se transferir para o Beijing Guoan, da China. O clube paulista, claro, não vai sair de mãos abanando. Receberá mais de R$ 30 milhões se o negócio for concretizado. Alguém vai dizer: “Ora, é muito dinheiro, ele tem mais é que ir mesmo!“. Pois eu penso o contrário. Não estamos falando de nenhum pobre coitado, mas de um atleta profissional que está ganhando de R$ 300 a 400 mil por mês para vestir a camisa do Corinthians. Além do mais, tem 27 anos, voltou a ser convocado para a Seleção Brasileira e se tornou peça importante no time de Dunga nas últimas rodadas das Eliminatórias. Vai abrir mão disso tudo? Afinal de contas, a felicidade de um jogador não é ser campeão, disputar grandes títulos e defender sua seleção nacional? Se for para a China, Renato tomará o rumo de outros que estouraram a nível nacional, mas acabaram perdendo espaço nos holofotes: Everton Ribeiro, Ricardo Goulart, Diego Tardelli. E pelo que parece, ele não está sozinho nessa. Uma legião de brasileiros está indo para lá. Já se fala em Jadson, Elias, Alexandre Pato… Se ainda estivessem em fim de carreira, eu até entenderia. Como Zico, na década de 90, indo para o futebol japonês. Mas agora, talvez no melhor momento de suas carreiras, eles vão abrir mão do sucesso por causa do dinheiro? Se ainda fossem paupérrimos e estivessem passando por dificuldades aqui no Brasil… Mas não consigo acreditar que alguém que receba R$ 300 mil mensais passe fome. Você consegue?

E aí você está em casa, louco para disparar contra mim: “Filipe, e se você recebesse uma proposta equivalente ao triplo do teu salário, não iria trabalhar num lugar assim?“. Sem nenhum peso na consciência e sem nenhuma demagogia, te responderia francamente: NÃO! Tenho os mesmos 27 anos de Renato Augusto, entendo que vivo meu melhor momento pessoal e profissional. Sou completamente satisfeito com o que faço, sem deixar de ambicionar por mais na minha carreira de jornalista. Não trocaria nada por somente dinheiro. Se viesse acompanhado de uma proposta de avanço na carreira, até pensaria. Do contrário, negaria. Aliás, já neguei propostas que não me satisfizeram a nível profissional. Mas respeito quem pensa o contrário. Se você é um destes que ainda acha que dinheiro é tudo na vida, sinto muito. Penso diferente e lamento que alguns pedaços de papel a mais façam tanta diferença na vida das pessoas, a ponto de corrompê-las ou fazê-las abrir mão de sonhos.

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4 comentários sobre “Nem todo dinheiro (chinês ou não) traz felicidade

  1. Olá Filipe! Belo post. Concordo e faço coro ao teu lamento, principalmente porque não conseguimos competir financeiramente com outros mercados da bola, sejam eles estabelecidos (Europa) ou emergentes (América do Norte, Ásia). Como resultado, os talentos aqui revelados são rapidamente canibalizados, não importando se haverá ou não crescimento profissional. No lado mais filosófico da tua mensagem, também sou obrigado a concordar e lembrar que, infelizmente, sonhos são negociados não apenas no futebol, mas também em outras áreas. Parece que o crescimento financeiro possui um apelo bem maior do que imaginávamos. Forte abraço!

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