Não fui um gênio do Rock

bazarQuando adolescente, ficava tentando adivinhar com qual idade eu morreria. Culpa dos artistas de rock que eu gostava. Kurt Cobain, vocalista e guitarrista do Nirvana, foi o primeiro ídolo da música que tive. Aos 27 anos, deu-se um tiro no rosto, após injetar uma última dose de heroína na veia. Drástico! Descobri que ele fazia parte de um grupo seleto, conhecido como o ‘Clube dos 27’. Não, este clube não tem 27 componentes. Na verdade, ele é composto por músicos que morreram entre o final da década de 60 e 70: Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Brian Jones. Recentemente, o grupo ainda ganhou a companhia de Amy Winehouse. Por tudo isso, passei a crer  piamente que eu morreria com os mesmos 27 anos de idade. Afinal de contas, eu seria um astro do rock também.

O tempo passou e descobri que John Lennon morreu aos 40. Elvis Presley aos 43. Joey e Dee Dee Ramone, meus integrantes prediletos dos Ramones, empacotaram aos 50 e 51, respectivamente. Logo, era possível viver mais e ser bom na música. Ok, eu ganhava um tempo extra para explodir como ‘rock star’. Elis Regina, por exemplo, conseguiu viver quase 10 anos a mais. Se bem que ela não cantava apenas rock. Bom, mas e seu expandisse meu mundo também para além do rock? Cazuza chegou aos 32 e Renato Russo aos 36. E se eu fosse pro samba, chegaria ao Chico Buarque que ainda está bem vivo! – pelo menos, até agora (que bom!). Se bem que o Chico se aventurou em ser escritor, né… Mas então, e se eu fosse escritor também?! Charles Bukowski, com toda a vida desregrada, durou até os 73! Um a menos que o meu avô materno Venusino, que não era rockeiro, nem músico, muito menos escritor. Foi goleiro e caixeiro viajante. E eu não vou ser nenhum desses dois. Até tentei ser goleiro, mas o futebol me abandonou bem antes de eu abandonar ele.

Aí é que está! Eu não preciso ser os outros. Não preciso morrer com 27 anos de idade. Até porque não sou um gênio do Rock n’ Roll. E se fosse, poderia durar um pouco mais mesmo. E para quê saber com quantos anos eu me vou embora? Coisa de adolescente estúpido, que prende a respiração no banheiro achando que está tentando o suicídio. Agora sei o que passou na cabeça de Paul McCartney na hora de compôr ‘When I’m sixty-four’. Aliás, Paul também está vivo e é uma estrela do rock. Será que começo a projetar o que vou fazer quando chegar aos meus 64 então? É melhor não fazer nada por ora. Acabei de me curar de um trauma. Não morri com 27. Ok, aceito o novo desafio: que venham os 33!

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