Garçom, por favor, pode me trazer o sal?

bazarA pergunta que dá título a este post passará a ser feita com frequência nos bares e restaurantes de Porto Alegre, caso a lei da vereadora Sofia Cavedon (PT) não seja revogada. Sim, pois pelo drama recorrentemente visto nas redes sociais é capaz da Câmara voltar atrás na aprovação do projeto. Talvez o que esteja faltando mesmo é as pessoas entenderem o que está acontecendo. Ninguém ficará sem sal na batata frita! Tampouco estará proibido o uso do sal nas comidas. Apenas não teremos mais a presença do saleiro (ou dos sachês) nas mesas de estabelecimentos comerciais da capital gaúcha. Há baldes de gelo em cima das mesas antes mesmo de você sentar? Não, né? E quando você vai pedir uma garrafa d’água ou de refrigerante ao garçom, como faz para colocar gelo no copo? Simplesmente pede ao garçom. Pois então, o processo será o mesmo com o sal. E por mais difícil que possa ser imaginar a vida sem um saleiro na mesa, é uma questão de saúde, sim.

No Brasil, Porto Alegre não está sozinha nesta empreitada. São Paulo também já aderiu à lei. O Estado do Espírito Santo também. Antes dos brasileiros, no entanto, os ‘hermanos’ urugaios e argentinos fizeram o mesmo (em Buenos Aires, não há também maionese em cima da mesa!). Chegou-se à conclusão que o consumo excessivo de sal estava fazendo mal à população, trazendo problemas como mau funcionamento dos rins, pressão alta, hipertensão, insuficiência cardíaca e até osteoporose. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de menos de 2g de sódio por dia – equivalente a 5g de sal. Certamente, você consome bem mais que isso diariamente! Então, qual o problema de sacar o saleiro da mesa? Isso se chama redução de danos. É uma tentativa de desestimular o uso excessivo do produto. Ao não tê-lo ali, exposto na sua frente, você provavelmente não usará – a não ser, é claro, que a comida esteja insossa. Mesmo assim, se você sentir falta dele, basta pedir ao garçom ou dar um pulinho no balcão do bar para adicionar mais uma pitada de sal ao seu prato. Não vai ser o fim do mundo, vai? Acredito que, além da lei (ou antes mesmo dela), fosse preciso organizar uma campanha de conscientização. Que venha!

Outras reclamações recorrentes sobre a lei que retira o saleiro das mesas é: “os vereadores tem coisas mais importantes para se preocupar“. Ok, é um bom argumento, mas o que você quer melhorar? “Segurança Pública!” Isso cabe ao poder executivo (mais precisamente ao Governador do Estado), e não ao legislativo. “Mas e por que não faz uma lei para devolver a arma ao cidadão de bem?“. Bom, aí seria uma tarefa para os legisladores a nível nacional, e não para vereadores – e, convenhamos, o debate é beeeem complexo. “E a roubalheira dos políticos?“. Ah, concordo! Deveriam prender todos os corruptos, mas a Polícia Federal não vem fazendo um bom trabalho neste sentido? E, aliás, o que impede um vereador que está em dia com a justiça de ter outras preocupações do que abrir uma CPI? Até porque, para quem tem (alegadamente pelo senso comum) como principal tema a mudança de nomes de ruas, qual o problema em propor mudanças em relação ao comportamento saudável da população? Enfim, achei muito válida a iniciativa. E quando sentir a necessidade de por mais sal na minha comida, esticarei o dedo e chamarei pelo garçom: “O senhor pode me trazer o saleiro, por favor?“. Mas se você achou absurda esta lei, ou até mesmo desnecessária, não acha que está dando atenção demais a ela?

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