Homens, libertem-se! As mulheres já fizeram isso há tempos

bazarEu tinha por volta de 18 anos quando fiquei amigo de uma menina. Muito amigo. Tipo confidentes, sabe? Conversávamos principalmente sobre insucessos nos casos amorosos. Dormimos juntos mais de uma vez. Sem sexo! Só dormimos mesmo, um ao lado do outro. Até que um dia, em tom de brincadeira, ela disse que eu era seu “amigo gay”. Embora eu não tivesse me assumido homossexual, aquilo me impactou como se alguém tivesse detectado algo que eu próprio não havia identificado. Fiquei pensativo. Na mesma noite, fui a um bar e sentei à mesa. Fiquei ali, entre um gole e outro de cerveja, observando os homens que entravam no bar. Tentei olhá-los por outra ótica: “será que eu sentia vontade de beijá-los?“. Não tive dificuldade em reconhecer que alguns eram esteticamente bonitos. Mesmo assim, não me senti sexualmente atraído por nenhum. Imaginava as barbas (espessa ou raspada) roçando em minha bochecha. “Não sou gay!“, conclui. Na época senti vergonha dessa minha dúvida e não contei para ninguém. Para quê? O simples fato de ter questionado a minha preferência sexual já serviria para colocar minha masculinidade em xeque junto aos amigos. Hoje sinto orgulho do que aconteceu e percebo que tenho convicção de que sou hétero – mais do que aqueles que pregam discurso de ‘orgulho hétero’ sem terem ao menos se questionado do porquê disso tudo. Sou hétero. Pelo menos até agora.

Não quero me apresentar como modelo a ser seguido, mas apenas aconselhar mais homens a se libertarem. Não a beijarem outros homens, mas apenas a perderem o medo de serem chamados de gays. Desde pequenos somos ensinados de que homem não chora, homem não beija outro homem no rosto (mesmo que muito amigo ou familiar), homem fala grosso, homem é rude… Balela! Conheço inúmeras meninas (a maioria mais jovens que eu) que se permitem experimentar a bissexualidade. Depois de um tempo, algumas dão-se por conta de que preferem namorar/casar com homens. Não fui tão longe, mas e se tivesse ido? Quem nunca provou de uma comida que não gostou para chegar à conclusão de que não gosta? Eu não suporto nem o cheiro de maionese! Mas há quem goste. Respeito. Para alguém deve ser bom. Para mim, não.

As mulheres permitem-se tantas coisas a mais que os homens que às vezes sinto vergonha de estar do outro lado do balcão. Assistindo ao filme ‘As Sufragistas’, senti vontade de ser uma daquelas mulheres. Agora quero ver ‘A Garota Dinamarquesa’, só porque li que alguns cinemas brasileiros proibiriam sua exibição. Qual o medo dos héteros? Mas o debate aqui não tem cunho apenas sexual. Gostaria de ver menos homens gabando-se por serem brigões, por serem beberrões, por serem bons de cama, medindo o tamanho do pênis ou aumentando o volume do som do carro (seja música, buzina ou escapamento). Homens, libertem-se da responsabilidade de serem tão ‘machos alfa’! Isso não é necessário. Permitam-se falhar, chorar, negar álcool ou andar a pé sem culpas. E se quiserem beijar outro homem no rosto (amigo ou familiar), permitam-se. Se preferirem na boca, permitam-se também. Nem que seja para chegar à conclusão que preferem mulheres. Ah, essas mulheres! Sou apaixonado por elas.

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