E se tivéssemos eleições gerais ao invés do impeachment?

bazarAinda em dezembro do ano passado, Luciana Genro (candidata à presidência pelo PSOL) publicou um texto em que defendia a convocação de eleições gerais para 2016. O que no início me cheirou como loucura – e até uma certa ingenuidade por parte da porto-alegrense -, confesso que não me cai tão mal aos olhos agora. Dado o desembarque do PMDB e o iminente golpe do maior partido brasileiro para abocanhar com Michel Temer o cargo máximo da república, não sei se não seria uma melhor saída devolver a decisão ao povo. Tendo em vista que Dilma Rousseff não consegue ter nenhuma governabilidade, dada sua rejeição em Câmara dos Deputados e Senado, será uma tortura continuar por mais dois anos preocupados apenas com a queda ou não da presidente. É preciso fazer a roda girar mais uma vez. Entretanto, é preciso considerar a onda de ódio que tomou conta da população e que, em caso de chamamento às urnas, pode se agravar ainda mais. Portanto, passei a imaginar alguns cenários e os possíveis comportamentos de determinados personagens durante um pleito ainda este ano. Confira, reflita e debata!

– LULA (PT)
Com sede de se manter no poder, o PT só teria chances de vencer novamente nas urnas com seu maior nome de expressão: Lula. Qualquer outro candidato seria engolido e sequer chegaria a um eventual segundo turno. Com Lula, porém, viveríamos dias muito violentos, de agressões verbal e física entre prós e contrários ao ex-presidente. As investigações e denúncias do judiciário e imprensa, ganhariam ressonância no espaço publicitário dos opositores. Para piorar, o clima não seria hostil só até as votações. Em caso de vitória de Lula, beiraríamos uma guerra civil no país. A insatisfação dos partidos rivais e seus simpatizantes chegaria ao ápice.

– CIRO GOMES (PDT)
Vejo como alternativa mais saudável para o Brasil e para o próprio PT, que este se dobre e apenas apoie (no máximo, indicando alguém como vice) um candidato de outro partido. Tal desenho começou a ser feito em Porto Alegre, com o petistas pressionando Manuela D’Ávila, do PCdoB, a puxar chapa. Em âmbito nacional, o nome mais forte e próximo seria Ciro Gomes. Agora no PDT, o ex-ministro de Lula e Fernando Henrique, embora critique o atual governo, seria uma alternativa de centro-esquerda no cenário eleitoral. Sofreria ataques pela aliança com os petistas, é verdade. Por outro lado, herdaria os votos de um eventual candidato do PT. Possivelmente passaria para um segundo turno – mas só com o apoio petista.

– AÉCIO/ALCKMIN/SERRA (PSDB)
Principal via de oposição ao PT na última eleição, o PSDB teria de passar ileso por suas prévias. José Serra e Geraldo Alckmin, que já foram candidatos à presidência em outras oportunidades, alçariam voo com Aécio Neves. A decisão seria tomada levando em conta qual dos três seria o menos ‘tisnado’ pelas denúncias que também chegaram aos seus pés. Aécio foi citado inúmeras vezes em delações premiadas da Lava-Jato, Alckmin pode virar réu na ‘Máfia das Merendas Escolares de São Paulo’ e Serra poderia ver respingando em si os escândalos dos metrôs paulistas. Já vimos dois deles sendo expulsos de uma das manifestações pró-impeachment. Resta saber se, confiando que a Justiça leve adiante tais investigações, a população ainda acreditaria no partido como solução para acabar com a corrupção.

– MARINA SILVA (Rede)
Tal qual iniciou a corrida eleitoral de 2014, Marina Silva tomaria a dianteira para esta. O fato de ter passado ilesa em todas as denúncias, poderia engrossar ainda mais seu cartão de visitas de que não quer praticar a “velha política”. Seu ‘calcanhar de Aquiles’ poderia ser mais uma vez a religiosidade. Isso ocorreu nas últimas eleições, quando lançou programa de governo em que defendia o casamento gay, mas voltou atrás dias depois de ter sido criticada por membros da bancada evangélica. Mesmo assim, poderia herdar muitos votos de insatisfeitos, tanto do PT como do PSDB. Tem potencial enorme para vencer as eleições.

– TEMER/CUNHA/CALHEIROS (PMDB)
Convenhamos, o PMDB não tem a mínima chance de vencer as eleições. O desejo nutrido por alguns de seus membros, de uma chapa com candidato próprio, seria um suicídio. Seus nomes mais expressivos a nível nacional estão atolados em denúncias e investigações: Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros. Se levadas adiante, investigações poderiam muito bem acarretar em afastamentos de cargos e/ou prisões. A não ser, é claro, que se faça manobras de arquivamento de denúncias ou se altere a constituição favorecendo-os. Um verdadeiro golpe! Por isso creio que, no máximo, o PMDB irá apoiar um dos candidatos – se não acabar ruído mais uma vez, dividido entre Marina Silva e o candidato tucano.

– JAIR BOLSONARO (PSC)
É inegável que Bolsonaro fará mais votos que Pastor Everaldo – último candidato do PSC. Além dos simpatizantes da extrema-direita que costumeiramente o acompanham, contaria a partir de agora com o aval de evangélicos mais fanáticos, como Silas Malafia e Marco Feliciano (muito possivelmente, seu candidato à vice-presidência). Em contrapartida, sua saída do PP pode fazer com que perca votos conservadores, mas que continuarão acompanhando o partido. Aliás, os progressistas apoiariam quem? Muito possivelmente, depois de anos surfando na onda petista, teriam o mesmo rumo do PMDB: apoiando Marina ou Aécio/Serra/Alckmin. Voltando a Bolsonaro, se não ficar caricato demais, poderia encontrar eco entre os discursos raivosos – como aos que pedem pena de morte, por exemplo – e chegar, no mínimo, a um segundo turno. Não acredito que o grau de insanidade do brasileiro já alcançou o ponto de elegermos uma figura pitoresca como esta.

– LUCIANA GENRO (PSOL)
Por fim, chegamos à proponente indireta deste debate. Caso o PSOL refaça sua aposta em Luciana Genro, muito provavelmente ficará longe da briga eleitoral mais uma vez. Continuará a levantar pautas polêmicas em debates, a colocar ‘figurões’ contra a parede, mas sem força para conquistar as classes média e baixa por completo. Por isso escrevi, lá no primeiro parágrafo do post, que o pedido de Luciana parece ingênuo. Ela não conseguirá mobilizar as massas pelo simples motivo de que, assim como sentenciou Aécio Neves, segue sendo vista como ‘linha auxiliar do PT’. A demonização do PT não atingiu apenas o partido, mas boa parte das chamadas bandeiras de esquerda. Deu força ao lado mais conservador das pessoas, que considera o PSOL (erroneamente ou não) uma representação antiga do PT. Isso só poderia mudar de figura em caso da escolha por outro nome, um pouco mais propositivo e menos agressivo, como do deputado carioca Chico Alencar. Mesmo assim, chegar a um segundo turno já seria ‘ato heroico’.

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Presidente eleito! A culpa não foi minha

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Foto publicada por José Aldo Pinheiro no Facebook

No dia de hoje, votei. Ocorreu a eleição do presidente da Aceg (Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos). Concorreram as chapas ‘capitaneadas’ por Edgar Vaz e José Aveline – das quais, venceu a primeira. Durante o tempo que antecedeu o pleito, embora tenha sido chamado por vários amigos dos dois lados, teimei em não abrir voto e muito menos fazer campanha para qualquer um. Observei, ouvi e votei pela minha consciência. Por isso, sinto-me tranquilo para dizer: se alguma coisa der errado, a culpa não foi minha!

Isso não quer dizer que não votei em Edgar Vaz e que, se sua administração falhar, eu estarei isento de culpa por ter escolhido ao Aveline. Nem uma coisa, nem outra. Já disse que não vou abrir voto, porque tenho respeito por ambos, e seus demais companheiros que se candidataram junto. Acredito que todos estavam em busca do melhor, com suas propostas, defesas de teses e programas idealizados. O que quero dizer é que, se houver falha, foi a administração eleita que falhou. E não eu! Se houver desonestidade, a culpa também não é minha. Não votei em nenhum dos dois por querer corrupção na entidade. Se isso realmente vier a acontecer, eles é que falharam comigo. Eles é que prometeram algo e não cumpriram. Eles é que devem se sentir culpados pela falta de capacidade ou avareza. A culpa não é minha e nem de nenhum dos 134 associados que compareceram à sede para votar. Eu seguirei dormindo tranquilo – triste, é verdade, se eles realmente pensaram (ou pensarem) em se locupletar.

Espero, sinceramente, que não seja o caso de nos lamentarmos. Espero que tenhamos conseguido, todos juntos, escolher o melhor. Confesso que esperava encontrar um clima mais bélico nesta tarde – talvez infectado pelos sintomas da política-partidária que assola o país. Entretanto, não. Vi o contrário! Vi e vivi um clima de total democracia, em que ‘rivais’ de chapas dividiam a mesma sala pacificamente, conversando e rindo. Profissionais de diferentes empresas, até concorrentes! Que este seja o indício de que podemos ter um convívio limpo e saudável. É isso o que tenho a falar sobre as eleições da Aceg e sobre as demais eleições que participei na vida. Que nunca nos faltem!

Ovos, coelho e ressurreição: a Páscoa que não faz sentido para nós, brasileiros

bazarQuando você deseja ‘Feliz Páscoa’ para alguém no meio da rua, imagina o quê? O que exatamente é a Páscoa? É o dia em que Jesus deixou a gruta onde foi sepultado após a crucificação? Tem certeza? Ok, então por que estamos nos entregando ovos de chocolate uns aos outros e por que diabos existe um coelho no meio disso tudo?! Pode ser uma fábula para deixar a data mais atraente para as crianças, né? Pois não é. A fábula é a ressurreição de Jesus! Nós apenas reproduzimos uma cultura inventada ainda no Império Romano. Sim, inventada! Não quero dizer que Jesus não tenha existido e, quem sabe até voltado da morte. Pode até ser, mas não hoje! Fosse verdade, por que a Páscoa foi comemorada em 5 de abril no ano passado, e 20 de abril em 2014?! Jesus ressuscitou em qual dia, afinal de contas? Sinto informar-lhe: vivemos uma mentira há muito tempo – mais precisamente, 1691 anos.

Essa mentira foi criada no Concílio de Nicéia, em 325 d.C. Explicando melhor, foi uma reunião convocada pelo imperador Constantino, que via o Império Romano ruir entre pagãos e cristãos. Assim, sentou seus principais líderes em uma mesma sala para que decidissem, de uma vez por todas, no que iriam acreditar dali para diante. Neste encontro, estabeleceram quais seriam as datas comemorativas e quais textos entrariam para a Bíblia (sim, há textos que foram barrados do livro, como por exemplo, do apóstolo Filipe. Os chamados apócrifos). Entretanto, a Páscoa já existia e já era comemorada. Era basicamente o dia em que a primavera chegava ao hemisfério norte. Ou seja, depois de um longo período de frio inverno, as flores e os frutos começavam a crescer novamente. Para representar a data, os ‘pagãos’ inventaram a deusa Ostara (ou Esther), a deusa da fertilidade. Era sempre imaginada cercada de coelhos – aos quais, ainda citamos nos dias atuais pela sua rapidez na fertilização – e com ovos – outro símbolo de reprodução. Assim, para comemorar a vinda da primavera (ou apenas o seu ressurgimento, sua “ressurreição”), as pessoas pintavam ovos e os escondiam, para depois procurá-los em meio à floresta. Esta era a crença primitiva presente nos povos anglo-saxões, germânicos e nórdicos. Agora faz todo sentido, não? Quem renascia não era propriamente Jesus, mas a tal deusa Esther. Ou simplesmente, a primavera!

Por todos estes motivos, acho engraçado reproduzirmos aqui no Brasil, no hemisfério sul do continente americano, a vinda de uma estação que não está aqui. Para os europeus, as árvores começam a florir. Faz muito sentido! Aqui, estamos entrando justamente no outono, onde as folhas secam, morrem e caem ao chão. Qual o motivo da comemoração então? Nossa Páscoa deste ano deveria vir em setembro (no dia 23, mais precisamente). Mas e o renascimento de Jesus? Bom, já falamos sobre a invenção do mito cristão em uma postagem no Natal. Se queres seguir ‘brindando’ uma mentira, baseada em uma mescla de cultura anglo-saxã com cristã, fique à vontade. Eu vou esperar nossa Páscoa brasileira em setembro para pensar se saúdo a fertilidade ou não. Até lá, obrigado pelos ovos de chocolate sem sentido que me foram dados até aqui.

A Odebrecht é a única que acreditava nos políticos brasileiros

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Foto: Fabio Braga/Folhapress

A partir da lista divulgada nesta semana, concluo que a construtora Odebrecht é a verdadeira isenta. Não tem ideologia política, não acredita em partido político e aposta sim em nomes. Falar isso, hoje em dia no Brasil, está na moda – e dá pontos de confiança em meio à sociedade. Pois assim deveria ser com a Odebrecht. Afinal de contas, como pode ter distribuído verba para financiamento de campanhas publicitárias de cerca de 200 políticos, dos mais variados tipos, ideologias e partidos? Na disputa eleitoral para prefeitura de Porto Alegre em 2012, o caso é exemplar: a empresa doou para José Fortunati (PDT) que concorria à reeleição, mas também para sua principal opositora Manuela D’Ávila (PC do B) – além de Wambert di Lorenzo (que era do PSDB e agora está no Pros). Logo, chego à conclusão que a Odebrecht é a única que acreditava nos dois principais candidatos. Ao mesmo tempo, não se furtou em despejar dinheiro nas campanhas de Ana Amélia Lemos (PP) ao Senado em 2010 e Tarso Genro (PT) ao governo do Estado em 2010 – que, curiosamente, disputariam o mesmo pleito quatro anos depois. Subindo o Mampituba, a lista fica ainda mais diversificada: vai de Aécio Neves (PSDB), o ‘novo caçador de Marajás’, a José Sarney (PMDB), velho representante da política nacional. Que empresa eclética! Bom, se não percebeu até agora, aviso: fui irônico!

Obviamente, a lista não é a comprovação de que todos estes citados são corruptos. Por mais sujo que pareça, doação de empresas a partidos e candidatos era permitido! Aliás, no ano passado, quando alguns deputados federais (de partidos como PSOL e PT) propuseram o fim dessas doações, outros foram contrários. Curiosamente, são de partidos que hoje vestem-se de amarelo e verde para desfilar pelas ruas contra a corrupção. Os “paladinos” do PSDB, PMDB, DEM, Solidariedade, Pros, PP, PTB, PSC, PR, PSD, PEN e PRB foram contrários ao veto. Ou seja: queriam manter as doações de empresas privadas a campanhas políticas! Em votação, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou como ato inconstitucional. A presidente Dilma Rousseff (PT) acompanhou os ministros e vetou e, por sua vez, o veto foi mantido pelo Congresso. Sendo assim, a partir das próximas eleições (para prefeitos e vereadores, em outubro deste ano), os políticos estão proibidos de receber dinheiro de empresas. Entretanto, antes disso, nos pleitos de 2014 para trás, ainda era permitido. Portanto, o simples fato de um nome constar na lista, não o qualifica como corrupto. Ele apenas recebeu a “confiança” da Odebrecht, uma empresa que acredita no futuro do país independente da ideologia do candidato e do partido.

O que me intriga é tentar entender o que faz a Odebrecht acreditar e doar verba para inúmeros políticos – incluindo opositores de um mesmo pleito. Se eu ganho presentes de alguém, sinto-me lisonjeado e aceito. Mas e se, dias ou meses depois, a pessoa que me presenteou vem em busca da contrapartida? Eu ficaria constrangido com a situação. Bom, e se a Odebrecht, que doou para campanhas de muitos políticos, meses depois da eleição, fosse atrás do candidato eleito para dizer-lhe: “Lembra que eu te apoiei? Agora preciso de uma ajuda.” Como fica? Se isso realmente acontece, aí estava a ilegalidade! Mesmo assim, você não vê hipocrisia em políticos que bradam contra a corrupção, tendo recebido verba das mesmas empresas envolvidas? No mínimo, intrigante! Por isso, só há duas saídas: ou o jogo muda e os políticos param de aceitar verba em prol da propaganda de suas campanhas, ou procuremos votar em quem não recebeu doações de empresas até aqui. Considerando que Rede e Partido Novo foram fundados em 2015 – ou seja, ainda não participaram de nenhuma eleição e, com isso consequentemente não receberam doações -, sobram apenas PCO e PSTU (pelo que lembro de cabeça). Você, que é contra a corrupção e, assim, o fim do financiamento de campanhas políticas, é capaz de votar em candidatos destes partidos?

Meu roteiro em Roma: DIA 4 – PRAÇAS E MONUMENTOS

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Fontana di Trevi

Definitivamente, foi um dos melhores passeios que fiz por Roma. A ideia era apenas caminhar pelas ruas, conhecendo suas praças mais famosas e monumentos. Fizemos um trajeto que iniciaria pelo ponto mais ao norte, em direção ao Vaticano – no caso, Piazza del Popolo. Assim, pegaríamos o metrô até lá, para retornar a pé até as proximidades do Termini, onde estamos hospedados. Acontece que, de largada, uma nova surpresa: os servidores públicos entraram em greve e os metrôs ficaram cerca de 4 horas desativados. Logo, não teríamos outra alternativa que não caminhar até os destinos desejados. E assim foi!

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Fonte da Piazza di Spagna

Nossa primeira praça foi a Piazza di Spagna. Demos outro grande azar, já que a escadaria da igreja Trinitá dei Monti estava em reforma (bem como a fonte, em formato de barco, no meio da praça). Foi um pouco frustrante! Dali caminhamos pela via del Babuino, que possui inúmeras lojas das grifes mais famosas – como Chanel e Dolce & Gabbana. Claro, ficamos apenas admirando as vitrines. Ao fim da rua, a ‘Piazza del Popolo’. Nada mais é do que um obelisco, com uma porta de pedras gigantesca ao fundo, cercada de igrejas. Até então, nada vinha justificando a saída cedo da cama. Eis que a nossa sorte começou a mudar.

Descemos a ‘Via del Corso’ (outra rua repleta de roupas de marca), até a Fontana di Trevi. Quando chegamos lá, ela já estava tomada de turistas – a maioria japoneses. Porém, funcionários da prefeitura estavam limpando o lugar, recolhendo as moedas do fundo da fonte, e por isso ela estava desligada. Incrivelmente, mesmo enquanto o pessoal trabalhava com as mangueiras sugando as moedas, muitos turistas continuavam a atirar dinheiro para realizar desejos. Esperamos alguns minutos até que a limpeza acabasse e a fonte fosse ligada. Aí o cenário mudou completamente. As pessoas puderam se aproximaram da fonte, com seus jatos que saíam da pedreira e aquele espelho d’água cristalino ganhou pequenas ondas. Lindo lugar, de beleza ímpar!

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Pantheon

De humor renovado, seguimos passeio a oeste, passando pela ‘Piazza Colonna’ (que possui uma enorme coluna de pedra erguida pelo imperador romano Marco Aurélio), pelo Templo de Adriano (como o nome sugere, feito em homenagem ao ex-imperador homônimo) e terminando no Pantheón. Este último sim, vale entrar – até porque é de graça! A cúpula é aberta e você enxerga o céu. É um edifício construído a pedido do imperador Augusto e que hoje, em seu interior, abriga os restos mortais dos primeiros reis da Itália: Vitório Emanuelle II e Umberto I. Em frente a ele, há a Piazza della Rotonda, com um obelisco e uma escadaria. Aproveitamos para comprar uns sanduíches e ‘almoçar’ sentados por ali mesmo, curtindo um sol junto aos pombos. Não fomos os únicos a fazer isso!

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Campo de Fiori

O passeio continuou a oeste, com a Piazza Navona, que abriga inúmeras apresentações artísticas. Passamos enquanto um grupo musical de italianos tocava. Mais tarde, uns brasileiros fizeram apresentação de capoeira. Por ali também, um grafiteiro mostrava sua arte ao ritmo de música latina. Por fim, um pouco mais ao sul, alcançamos o Campo de Fiori. É outra praça, que por sua vez abriga uma feira a céu aberto. Vendem temperos, comidas, verduras e frutas, mas também artigos para vestimenta. No meio da praça, uma estátua interessante: Giordano Bruno, filósofo italiano que foi incendiado vivo naquele mesmo lugar durante a Idade Média, por ter defendido a tese de que a Terra é que girava em torno do Sol, e não o contrário.

Como já estávamos longe de “casa”, aproveitamos o retorno para passar nas inúmeras lojas de roupa. Algumas têm preços bem razoáveis (se você não converter para o euro, pois então enlouquece). Acredito que por termos chegado no fim do inverno, pegamos muita promoção. Há roupas femininas a € 9, por exemplo. Os artigos esportivos são bem baratos também. Com atenção e paciência, deu para rechear ainda mais a mala.

Meu roteiro em Roma: DIA 3 – VATICANO

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Praça de São Pedro, com basílica ao fundo

Não sou católico, tampouco religioso. Mesmo assim quis visitar o Vaticano muito mais pelo valor histórico e artístico das pinturas da Capela Sistina e das esculturas do Museu do Vaticano. Contudo, foi uma grande decepção! Filas imensas, muita gente se acotovelando, preço alto e muita, mas muita mesmo, frescura dos seguranças. Para se ter uma noção, só para ingressar no menor país do mundo, não poderia estar com camisa que mostrasse os ombros, bermudas, chapéus, falar alto ou abraçar ninguém efusivamente. Enfim, tudo que pertence ao convívio hipócrita da Igreja Católica. Mas, já que eu era um convidado (que pagou caro por seu ingresso), resolvi respeitar em parte. Mas se você me pedisse uma opinião: a visita não é algo tão imperdível no roteiro de sua viagem. Você viverá longos anos sem ir lá.

Para começo de conversa, tivemos de pegar o metrô no Termini para chegar ao Vaticano – já que fica longe do local onde estamos hospedados. O martírio começou ali, com as pessoas completamente apertadas na plataforma, brigando (literalmente) para alcançar as portas do vagão antes que elas se fechassem. Perdemos quatro ou cinco metrôs até conseguirmos entrar. E, mesmo assim, fomos esmagados pelo trajeto. Os italianos fazem São Paulo parecer ‘fichinha’! Chegando à estação Ottaviano (próxima do museu), começamos a ser parados nas ruas por vendedores de planos de turismo. A princípio, eles te entregam um mapa, argumentando que é de graça. E vão testando para saber se você fala italiano, inglês, espanhol ou outras línguas. Enfim, depois de tanta insistência e de ver as filas quilométricas que davam a volta no quarteirão, resolvemos aderir a um pacote. Pagamos € 55, com direito a guia-turístico, áudio-guia e a visitação dos principais ambientes do Vaticano. Ah, disseram-nos também que não precisaríamos entrar na fila. Balela! Pegamos apenas uma fila diferente, destinada aos grupos turísticos (menor, é verdade).

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Museu do Vaticano e seu teto folheado a ouro

Quase 1 hora depois, enfim, entramos no Museu do Vaticano (após passar por nova fila no detector de metais, claro!). No pátio, nossa guia ainda deu uma bela explanação sobre os afrescos da Capela Sistina (em francês e espanhol, já que nosso grupo era formado majoritariamente por eles). O lado positivo de andar com um grupo de visita guiada, além de não pegar uma fila maior para entrar, é que não há nenhuma chance de se perder pelos corredores até alcançar as principais capelas. No entanto, o passeio se torna moroso e exaustivo, já que são contadas as histórias de cada uma das peças em exposição. Além disso, uma observação bem particular: incomodou-me saber que a maior parte do acervo está lá graças a saques da Igreja, financiadora por muito tempo do Império Romano. Ou seja, as obras são de origem persa, egípcia, grega, etc – sem falar nos tetos folheados a ouro, sabe-se lá oriundos de onde.

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Não é permitido tirar fotos na Capela Sistina

Finalmente chegamos à Capela Sistina e aí, nova decepção. Trata-se de um grande salão, com um teto que fica a 3 metros de altura acima da sua cabeça. Lá em cima está toda a riqueza do lugar, com as pinturas de Michelangelo. Porém, só é permitido ficar dois minutos (literalmente) no espaço, e em silêncio absoluto. Eu ainda tive o agravante de puxar a câmera para sacar algumas fotos e fazer um vídeo, o que não é permitido. Assim, tive a atenção chamada por um dos ‘guardas’ e fui convidado a me retirar. Pulsei de raiva! Qual o problema de gravar um vídeo do teto? Ok, pelo menos não tive minha câmera tomada e nem fui preso.

Depois de encarar mais um labirinto de escadas, chegamos em frente à Basílica de São Pedro. Inegavelmente, o lugar é bonito. Tem-se a visão de toda a praça de São Pedro, além da sacada onde o Papa costuma acenar para os fiéis. Ali acabou a visita guiada, mas ainda nos era permitido a visitação interna da igreja. Lá está a ‘Pietà’ (outra obra famosa de Michelangelo, e agora exposta a fotografias) e os mausoléus de muitos ex-Papas (incluindo João Paulo II). Ainda lhe é dada a possibilidade de visitar a cúpula da Basílica – claro, mediante a um pagamento e disposição de encarar no mínimo 300 degraus. Pelo cansaço e grau de irritação, decidimos ir embora. Na saída pelos portões do Vaticano ainda deu tempo de almoçar (com uma conta caríssima, diga-se de passagem) e passar em frente ao Castelo de Sant’Angelo até pegar o metrô de volta ao Termini. Enfim, posso morrer e

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Castelo de Sant’Angelo

dizer que conheci o Vaticano. Mas é uma experiência que não passou nem perto de ser boa.

Meu roteiro em Roma: DIA 2 – RUÍNAS DA ROMA ANTIGA

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Coliseu

Se o jeito é tentar se apaixonar por Roma, caímos de cara no principal ponto turístico da capital italiana: o Coliseu. Ele fica há cerca de 20 minutos a pé de onde estamos hospedados e, demos sorte de encontrar durante o caminho um grupo de estudantes sendo guiados. Assim, fomos caminhando entre as ruelas de Roma, conhecendo um pouco mais da cidade, até nos depararmos com a grandiosa edificação que é o ‘Anfiteatro Flávio’. A surpresa veio na hora de comprar os bilhetes para entrar. Alguns guichês só aceitavam cartão de crédito, outras filas eram somente para entrada (já devia estar portando o bilhete ou o ‘Roma Pass’). E, no final das contas, bastava ter um ticket para visitar três pontos da Roma Antiga: além do Coliseu, Foro Romano e Palatino.

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Vista interna do Coliseu

Escolhemos começar pelo primeiro e acho que fizemos uma boa opção. A fila na entrada parecia assustadora, mas logo percebemos que ela se dividia para os que deveriam comprar o ingresso (que era o nosso caso). No final das contas, foi tudo muito rápido. Para passear pelo interior da arena em ruínas, basta ir seguindo as placas de orientação – em italiano e inglês – e perdendo-se entre pilares, escadarias e pequenas amostras de escavações. Torna-se cansativo devido a quantidade enorme de gente lá dentro, com muitas excursões de estudantes. Mas optamos por não pegar o áudio-guia e nem parar muito tempo no mesmo lugar. Assim, conhecemos todos os acessos possíveis em 1 hora.

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Foro Romano

Ao lado do Coliseu, passando pelo Arco de Constantino, fica a entrada para o Foro Romano. Mais uma vez encaramos fila (desta vez maior) e tivemos de passar por detector de metais. O processo é desgastante e nos fez ter a certeza de que comprar o ‘Roma Pass’ não é tão vantajoso assim, pois dividíamos espaço com as mesmas pessoas que deveriam ter algum privilégio. Ou seja, deu no mesmo e ainda economizamos. Dentro do Foro, a caminhada é ainda maior. Uma pena as casas e palacetes estarem tão destruídos a ponto de não identificar o que era o quê, mas a riqueza histórica do local é inegável. Além do mais, há um acesso ali pelo interior que te leva até o Palatino – local que abrigou os palácios de antigos imperadores romanos.

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Bocca della Verità

Saindo das três primeiras visitações (o local é cercado por grades), caminhos até atrás do Palatino, onde ficava o Circus Máximus – local que recebia as famosas corridas de bigas. Em frente a ele, fica uma igreja chamada Santa Maria in Cosmedin. Na entrada dela, mais um ponto que vale visitar: a Bocca della Verità. Trata-se de uma escultura em pedra, onde a crença popular era de que a pessoa que mentisse com a mão posicionada em sua boca, seria ‘mordida’ pela obra. Após uma nova pequena fila e as devidas fotos, fomos almoçar – passava das 13 horas.

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Monumento a Vittorio Emanuelle II

Almoço feito, a caminhada teve sequência. A ideia inicial era refazer o trajeto para pegar o rumo da casa, mas nos deparamos com outra bela vista. Próximo do Foro Romano, fica o Monumento a Vittorio Emanuelle II. Ao vê-lo, a dúvida é saber se é uma igreja ou um palácio. Pois não é nenhum dos dois. Vale encarar a sua escadaria extensa, ingressar no local e pegar um elevador no segundo andar, que leva até o alto do monumento. Lá em cima, tem-se uma das melhores vistas da cidade – tanto das ruínas, como do Centro Histórico. Foi um belo jeito de encerrar nosso primeiro passeio por Roma.

Meu roteiro em Roma: DIA 1 – CHEGADA

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Termini é a principal estação de metrô/trem de Roma

Não posso ser definitivo, mas minha primeira impressão de Roma não foi das melhores. Depois de uma semana em Paris, a comparação é inevitável. E talvez por ter me adaptado tão facilmente à rotina francesa, sinta um pouco até me encaixar no perfil italiano. Além do mais, a viagem foi do cão! Compramos todas as passagens aéreas  juntas pela empresa portuguesa TAP. Foi por Lisboa que entramos na Europa, então a cada viagem interna, temos de fazer conexão em Portugal. Acontece que o voo saia da França às 7h e, para economizar na corrida do táxi do Quartier Latin até o Aeroporto de Orly, pegamos o último metrô da noite e dormimos no saguão. Aí começou a saga, que só terminaria com o desembarque no Termini (principal estação de trem de Roma). Mesmo assim, o susto foi dos grandes!

Muito diferente de Paris, as ruas ao redor do Termini se assemelham ao centro de Porto Alegre. Lotadas, barulhentas, com pessoas falando alto e carros desrespeitando o sinal do trânsito. Para piorar a impressão, chegamos no hotel que fica ao lado da estação e fomos informados que houve um problema no sistema de calefação e o quarto só seria liberado depois das 19h – e eram só 16h! Tivemos de esquecer o cansaço da viagem, deixar as malas no saguão do hotel e saímos para matar tempo pelos arredores. Antes de mais nada, o jeito foi procurar uma pizzaria para tentar começar com o pé direito. Claro, ainda deu tempo de ter uma nova decepção, ao chegar em uma pizzaria que só começava a vender pizzas a partir das 18 (?!).

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Piazza della Reppublica

Alimentados, o primeiro pensamento foi: Roma não é Paris e temos de nos acostumar com a nova paisagem. Passeando pelas ruas, nos deparamos com a Piazza della Reppublica – uma das muitas praças que vamos visitar nos próximos dias. Por ali, também conhecemos parte das ruínas das Termas de Diocleciano. Enfim, um aperitivo do que virá a partir de agora. E sempre com a percepção de que os locais visitados e o ambiente que encontraremos aqui será completamente diferente da semana passada.

Meu roteiro em Paris: DIA 7 – CEMITÉRIOS

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Cemitério de Père-Lachaise

Tudo que é bom, um dia acaba. E assim foi com o nosso passeio pela capital francesa. No entanto, para fechar com chave de ouro, deixamos para o último dia as visitas aos cemitérios. Pode parecer mórbido para alguns (inclusive um pouco nojento para mim, admito), mas há muita beleza arquitetônica, história e sem dúvidas nostalgia entre as lápides. Além do mais, qualquer manual de turismo lhe indicará uma passagem ao menos pelo Père-Lachaise, um dos maiores cemitérios do mundo, com uma enorme quantidade de famosos sepultados lá – franceses ou não.

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Túmulo de Jim Morrison

Para começar nosso trajeto, uma personalidade que já foi citada no último post: Jim Morrison. O vocalista da banda norte-americana faleceu em 1971, quando abandonou a banda para viver apenas de poesia em Paris. Para encontrá-lo, nem mesmo o mapa que compramos em uma banca de jornal em frente ao cemitério (por € 2,50), contribuiu para que encontrássemos de cara o túmulo. Foi necessário pedir informação a uma policial que estava por ali. Aliás, este é um detalhe interessante: desde que o ‘rockeiro’ foi enterrado no local, uma trupe de ‘malucões’ invadiu o cemitério para beber, dormir e pichar as lápides ao redor. Logo, a presença de uma ‘supervisora’ inibe a destruição maior do jazigo de Morrison – que já não possui mais um busto e seu nome em letras grandes. Uma pena! Enfim, o espaço reservado a Jim é bem acanhado e, de certa maneira decepcionante, mas vale a visita.

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Túmulo de Allan Kardec

Não posso omitir que o Père-Lachaise como um todo me decepcionou. Como ponto turístico, o local precisa ser conhecido, mas a mim frustrou um pouco. Esperava por mais imponência, mas os monumentos e bustos são todos menores do que os que vimos pelo Brasil. Dá para se caminhar entre as lápides e, embora isso pareça um pouco complicado, aos poucos vai se tornando natural. Assim, você se pega visitando o repousou de ícones da história, como Allan Kardec, Marcel Proust, Oscar Wilde, Frédéric Chopin, Auguste Comte, Édith Piaf, entre outros. Enfim, o passeio durou cerca de 2h30min. E, um pouco cansados, recarregamos as baterias em um restaurante com um nome bem sugestivo e que fica em frente ao portão principal: ‘Le Purgatoire’.

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Sartre e Beauvoir estão sepultados juntos no Cemitério de Montparnasse

Dali pegamos um metrô para a zona sul da cidade, para Montparnasse. Neste cemitério, de cara (bastando virar à direita, no primeiro corredor, após o portão principal), o túmulo do casal de filósofos franceses Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Este cemitério parece mais organizado que o primeiro – e menor, com certeza. Ali também visitamos as lápides do escritor Charles Baudelaire e do cantor francês Serge Gainsbourg. Não há nada de imponente, com grandes monumentos ou estátuas assustadoras. É somente um ponto turístico a mais – e que tem até um certo ar de tranquilidade. Uma boa escolha para encerrar nossa passagem pela ‘Cidade Luz’. Para quem quiser algo mais sombrio, indico as ‘Catacumbas’, que ficam próximas do Cemitério de Montparnasse. São corredores subterrâneos feitos de ossos. Confesso que não tive coragem de encarar esta. Sim, medo mesmo! Mas espero que meu próximo destino deixe o mesmo resultado de Paris: uma ótima impressão e vontade de retornar em breve.

Meu roteiro em Paris: DIA 6 – ENTRE A IGREJA E O CABARET

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Cabaret ‘Moulin Rouge’

O sexto dia de capital francesa caiu ocasionalmente em um domingo. Assim, optamos por um passeio parisiense dominical (claro, com a ajuda de uma amiga que mora na cidade). A missão inicial era visitar o bairro de Montparnasse – conhecido pela Basílica de Sacré-Coeur, localizada no alto de um monte, que lhe dá uma nova visão da cidade. Entretanto, nos arredores, fica também o famoso cabaret Moulin Rouge, que é completamente cercado por sex shops, outros cabarés e barzinhos. Ou seja, a vida noturna é agitada por ali. Mas até chegar a noite, deveríamos preencher o dia de outras maneiras.

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Praça da Bastilha

Sendo assim, acordamos um pouco mais tarde que o costumeiro para caminharmos até o bairro Marais, atravessando a pé o Rio Sena. A motivação foi bem particular, já que ali na rua Beautreillis, número 17, morreu uma das maiores estrelas do rock: Jim Morrison, vocalista do The Doors. Até chegar lá, enfrentamos um verdadeiro labirinto, e tive a total certeza de que estava em frente ao prédio correto quando senti um aroma de maconha no ar. Podia ser algum transeunte fumando, ou a presença do próprio que ainda perambula por ali. Vai saber! A zona é ótima, pois dobrando a esquina já nos deparamos com a Praça da Bastilha, local histórico da cidade, onde hoje existe apenas um obelisco no lugar da velha prisão. Ao lado da praça, uma feira a céu aberto gigantesca – que se vende desde roupas a frutos do mar.

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Basílica de Sacré-Coeur

Do Marais pegamos o metrô para Montparnasse. Chegando no destino, almoçamos um típico crépe francês, ao pé da escadaria da Sacré-Coeur. Afinal, precisávamos recarregar as baterias para encarar os muitos degraus. Lá de cima, se pode visualizar ainda melhor a paisagem através dos ‘binóculos’ (não sei se é este o nome verdadeiro). Para quem viu o filme ‘O Fabuloso Destino de Amélie Poulain’, o bairro se torna ainda mais atrativo, pois foi filmado todo ali. O café onde a personagem trabalhava, chamado ‘Deux Moulin’, por exemplo, é aberto ao público. Perto dali também fica o famoso ‘Muro do Eu te Amo’ (com a frase escrita em inúmeras línguas) e a estátua em homenagem ao escritor Marcel Aymé e seu livro ‘O Passa-Paredes’. Lindíssimo bairro! Para finalizar, é preciso tomar uma cerveja em um dos muitos bares ao redor. Uma, duas ou três. Aí fica a seu critério!