O “bom repórter” é bajulador ou omisso

bazar

Aos colegas de profissão: não se ofendam com o título. Aos leitores/ouvintes/telespectadores: não me entendam mal. O que você considera como um bom repórter? Primeiro é preciso discernir reportagem de comentário ou opinião. Um colunista de jornal sempre omite opinião. Um comentarista, seja em rádio ou televisão, fará o mesmo. Vez que outra, pode trazer uma informação. Mesmo assim, terá a liberdade para discorrer sobre o assunto. E, entenda, a informação teve um porquê de chegar a ele. E aí mora o ‘ponto G’ da reportagem: a bajulação ou omissão. Ambos podem ser jornalistas, mas os comentaristas e colunistas têm uma vida maravilhosa! Eles não precisam se incomodar com bajulações – algo presente no trabalho do repórter.

Bajula-se um dirigente de futebol para conseguir a notícia sobre o jogador que está por ser contratado. Bajula-se o jogador para ganhar uma novidade sobre o vestiário. E quando o ex-dirigente (de oposição política) entra em cena e é bajulado, passa uma ‘bomba’ sobre o atual diretor. O manual da reportagem não manda, mas é dever do repórter bajular sua fonte. Do futebol à política. Aliás, são editorias bem parecidas. Vez que outra é preciso bajular os fãs para acalmar a massa. Legitimamente, jogar para a torcida. “Mas e os grandes repórteres investigativos?”, você se pergunta. Bajulam! Dizem que entendem a causa do ladrão ou assassino para conseguir uma boa entrevista. Elogiam o trabalho do policial para saber onde o ladrão ou assassino foi pego. É da natureza do “bom repórter” bajular. Eu diria que é instintivo! Mas e quando a fonte (polícia, ladrão, político, jogador, ex-dirigente e atual) falha e vira uma notícia negativa? Aí entra a omissão!

Omite-se que o policial já forjou um crime, que o criminoso não se arrepende do crime, que o político confidente também roubou, que o dirigente contratou o jogador ruim, que por sua vez foi muito mal na última rodada. Se não se omite, eis aí o repórter isento. Aquele que fala com todas as fontes, que ouve os dois lados – três ou quatro se for preciso. Que não deixa suas impressões, ideologias ou preferência futebolística afetar a matéria. Mas esta poderá ser a última vez que ele entra em cena. Pois ao romper com sua ex-fonte, terá de ir atrás de outra. E se trair essa nova fonte, terá de recorrer à outra em seguida. E assim sucessivamente, de bajulação a bajulação frustrada, restará sozinho e sem informação. Sem que ninguém confie em sua parcialidade para lhe confidenciar uma informação para aquela pauta maravilhosa. No fundo, ele é falso. Pobres bajuladores que acreditam nele! Logo, nem você gostaria de um repórter isento, pois ele pode ser voltar de uma hora para a outra contra você, seu clube de futebol, político que você votou, etc. Você deixará de considerá-lo um ‘bom repórter’. Afinal, os ‘bons repórteres’ são bajuladores e omissos. E isso é ótimo para que as notícias continuem brotando.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s