A Odebrecht é a única que acreditava nos políticos brasileiros

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Foto: Fabio Braga/Folhapress

A partir da lista divulgada nesta semana, concluo que a construtora Odebrecht é a verdadeira isenta. Não tem ideologia política, não acredita em partido político e aposta sim em nomes. Falar isso, hoje em dia no Brasil, está na moda – e dá pontos de confiança em meio à sociedade. Pois assim deveria ser com a Odebrecht. Afinal de contas, como pode ter distribuído verba para financiamento de campanhas publicitárias de cerca de 200 políticos, dos mais variados tipos, ideologias e partidos? Na disputa eleitoral para prefeitura de Porto Alegre em 2012, o caso é exemplar: a empresa doou para José Fortunati (PDT) que concorria à reeleição, mas também para sua principal opositora Manuela D’Ávila (PC do B) – além de Wambert di Lorenzo (que era do PSDB e agora está no Pros). Logo, chego à conclusão que a Odebrecht é a única que acreditava nos dois principais candidatos. Ao mesmo tempo, não se furtou em despejar dinheiro nas campanhas de Ana Amélia Lemos (PP) ao Senado em 2010 e Tarso Genro (PT) ao governo do Estado em 2010 – que, curiosamente, disputariam o mesmo pleito quatro anos depois. Subindo o Mampituba, a lista fica ainda mais diversificada: vai de Aécio Neves (PSDB), o ‘novo caçador de Marajás’, a José Sarney (PMDB), velho representante da política nacional. Que empresa eclética! Bom, se não percebeu até agora, aviso: fui irônico!

Obviamente, a lista não é a comprovação de que todos estes citados são corruptos. Por mais sujo que pareça, doação de empresas a partidos e candidatos era permitido! Aliás, no ano passado, quando alguns deputados federais (de partidos como PSOL e PT) propuseram o fim dessas doações, outros foram contrários. Curiosamente, são de partidos que hoje vestem-se de amarelo e verde para desfilar pelas ruas contra a corrupção. Os “paladinos” do PSDB, PMDB, DEM, Solidariedade, Pros, PP, PTB, PSC, PR, PSD, PEN e PRB foram contrários ao veto. Ou seja: queriam manter as doações de empresas privadas a campanhas políticas! Em votação, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou como ato inconstitucional. A presidente Dilma Rousseff (PT) acompanhou os ministros e vetou e, por sua vez, o veto foi mantido pelo Congresso. Sendo assim, a partir das próximas eleições (para prefeitos e vereadores, em outubro deste ano), os políticos estão proibidos de receber dinheiro de empresas. Entretanto, antes disso, nos pleitos de 2014 para trás, ainda era permitido. Portanto, o simples fato de um nome constar na lista, não o qualifica como corrupto. Ele apenas recebeu a “confiança” da Odebrecht, uma empresa que acredita no futuro do país independente da ideologia do candidato e do partido.

O que me intriga é tentar entender o que faz a Odebrecht acreditar e doar verba para inúmeros políticos – incluindo opositores de um mesmo pleito. Se eu ganho presentes de alguém, sinto-me lisonjeado e aceito. Mas e se, dias ou meses depois, a pessoa que me presenteou vem em busca da contrapartida? Eu ficaria constrangido com a situação. Bom, e se a Odebrecht, que doou para campanhas de muitos políticos, meses depois da eleição, fosse atrás do candidato eleito para dizer-lhe: “Lembra que eu te apoiei? Agora preciso de uma ajuda.” Como fica? Se isso realmente acontece, aí estava a ilegalidade! Mesmo assim, você não vê hipocrisia em políticos que bradam contra a corrupção, tendo recebido verba das mesmas empresas envolvidas? No mínimo, intrigante! Por isso, só há duas saídas: ou o jogo muda e os políticos param de aceitar verba em prol da propaganda de suas campanhas, ou procuremos votar em quem não recebeu doações de empresas até aqui. Considerando que Rede e Partido Novo foram fundados em 2015 – ou seja, ainda não participaram de nenhuma eleição e, com isso consequentemente não receberam doações -, sobram apenas PCO e PSTU (pelo que lembro de cabeça). Você, que é contra a corrupção e, assim, o fim do financiamento de campanhas políticas, é capaz de votar em candidatos destes partidos?

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