Ovos, coelho e ressurreição: a Páscoa que não faz sentido para nós, brasileiros

bazarQuando você deseja ‘Feliz Páscoa’ para alguém no meio da rua, imagina o quê? O que exatamente é a Páscoa? É o dia em que Jesus deixou a gruta onde foi sepultado após a crucificação? Tem certeza? Ok, então por que estamos nos entregando ovos de chocolate uns aos outros e por que diabos existe um coelho no meio disso tudo?! Pode ser uma fábula para deixar a data mais atraente para as crianças, né? Pois não é. A fábula é a ressurreição de Jesus! Nós apenas reproduzimos uma cultura inventada ainda no Império Romano. Sim, inventada! Não quero dizer que Jesus não tenha existido e, quem sabe até voltado da morte. Pode até ser, mas não hoje! Fosse verdade, por que a Páscoa foi comemorada em 5 de abril no ano passado, e 20 de abril em 2014?! Jesus ressuscitou em qual dia, afinal de contas? Sinto informar-lhe: vivemos uma mentira há muito tempo – mais precisamente, 1691 anos.

Essa mentira foi criada no Concílio de Nicéia, em 325 d.C. Explicando melhor, foi uma reunião convocada pelo imperador Constantino, que via o Império Romano ruir entre pagãos e cristãos. Assim, sentou seus principais líderes em uma mesma sala para que decidissem, de uma vez por todas, no que iriam acreditar dali para diante. Neste encontro, estabeleceram quais seriam as datas comemorativas e quais textos entrariam para a Bíblia (sim, há textos que foram barrados do livro, como por exemplo, do apóstolo Filipe. Os chamados apócrifos). Entretanto, a Páscoa já existia e já era comemorada. Era basicamente o dia em que a primavera chegava ao hemisfério norte. Ou seja, depois de um longo período de frio inverno, as flores e os frutos começavam a crescer novamente. Para representar a data, os ‘pagãos’ inventaram a deusa Ostara (ou Esther), a deusa da fertilidade. Era sempre imaginada cercada de coelhos – aos quais, ainda citamos nos dias atuais pela sua rapidez na fertilização – e com ovos – outro símbolo de reprodução. Assim, para comemorar a vinda da primavera (ou apenas o seu ressurgimento, sua “ressurreição”), as pessoas pintavam ovos e os escondiam, para depois procurá-los em meio à floresta. Esta era a crença primitiva presente nos povos anglo-saxões, germânicos e nórdicos. Agora faz todo sentido, não? Quem renascia não era propriamente Jesus, mas a tal deusa Esther. Ou simplesmente, a primavera!

Por todos estes motivos, acho engraçado reproduzirmos aqui no Brasil, no hemisfério sul do continente americano, a vinda de uma estação que não está aqui. Para os europeus, as árvores começam a florir. Faz muito sentido! Aqui, estamos entrando justamente no outono, onde as folhas secam, morrem e caem ao chão. Qual o motivo da comemoração então? Nossa Páscoa deste ano deveria vir em setembro (no dia 23, mais precisamente). Mas e o renascimento de Jesus? Bom, já falamos sobre a invenção do mito cristão em uma postagem no Natal. Se queres seguir ‘brindando’ uma mentira, baseada em uma mescla de cultura anglo-saxã com cristã, fique à vontade. Eu vou esperar nossa Páscoa brasileira em setembro para pensar se saúdo a fertilidade ou não. Até lá, obrigado pelos ovos de chocolate sem sentido que me foram dados até aqui.

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