E se tivéssemos eleições gerais ao invés do impeachment?

bazarAinda em dezembro do ano passado, Luciana Genro (candidata à presidência pelo PSOL) publicou um texto em que defendia a convocação de eleições gerais para 2016. O que no início me cheirou como loucura – e até uma certa ingenuidade por parte da porto-alegrense -, confesso que não me cai tão mal aos olhos agora. Dado o desembarque do PMDB e o iminente golpe do maior partido brasileiro para abocanhar com Michel Temer o cargo máximo da república, não sei se não seria uma melhor saída devolver a decisão ao povo. Tendo em vista que Dilma Rousseff não consegue ter nenhuma governabilidade, dada sua rejeição em Câmara dos Deputados e Senado, será uma tortura continuar por mais dois anos preocupados apenas com a queda ou não da presidente. É preciso fazer a roda girar mais uma vez. Entretanto, é preciso considerar a onda de ódio que tomou conta da população e que, em caso de chamamento às urnas, pode se agravar ainda mais. Portanto, passei a imaginar alguns cenários e os possíveis comportamentos de determinados personagens durante um pleito ainda este ano. Confira, reflita e debata!

– LULA (PT)
Com sede de se manter no poder, o PT só teria chances de vencer novamente nas urnas com seu maior nome de expressão: Lula. Qualquer outro candidato seria engolido e sequer chegaria a um eventual segundo turno. Com Lula, porém, viveríamos dias muito violentos, de agressões verbal e física entre prós e contrários ao ex-presidente. As investigações e denúncias do judiciário e imprensa, ganhariam ressonância no espaço publicitário dos opositores. Para piorar, o clima não seria hostil só até as votações. Em caso de vitória de Lula, beiraríamos uma guerra civil no país. A insatisfação dos partidos rivais e seus simpatizantes chegaria ao ápice.

– CIRO GOMES (PDT)
Vejo como alternativa mais saudável para o Brasil e para o próprio PT, que este se dobre e apenas apoie (no máximo, indicando alguém como vice) um candidato de outro partido. Tal desenho começou a ser feito em Porto Alegre, com o petistas pressionando Manuela D’Ávila, do PCdoB, a puxar chapa. Em âmbito nacional, o nome mais forte e próximo seria Ciro Gomes. Agora no PDT, o ex-ministro de Lula e Fernando Henrique, embora critique o atual governo, seria uma alternativa de centro-esquerda no cenário eleitoral. Sofreria ataques pela aliança com os petistas, é verdade. Por outro lado, herdaria os votos de um eventual candidato do PT. Possivelmente passaria para um segundo turno – mas só com o apoio petista.

– AÉCIO/ALCKMIN/SERRA (PSDB)
Principal via de oposição ao PT na última eleição, o PSDB teria de passar ileso por suas prévias. José Serra e Geraldo Alckmin, que já foram candidatos à presidência em outras oportunidades, alçariam voo com Aécio Neves. A decisão seria tomada levando em conta qual dos três seria o menos ‘tisnado’ pelas denúncias que também chegaram aos seus pés. Aécio foi citado inúmeras vezes em delações premiadas da Lava-Jato, Alckmin pode virar réu na ‘Máfia das Merendas Escolares de São Paulo’ e Serra poderia ver respingando em si os escândalos dos metrôs paulistas. Já vimos dois deles sendo expulsos de uma das manifestações pró-impeachment. Resta saber se, confiando que a Justiça leve adiante tais investigações, a população ainda acreditaria no partido como solução para acabar com a corrupção.

– MARINA SILVA (Rede)
Tal qual iniciou a corrida eleitoral de 2014, Marina Silva tomaria a dianteira para esta. O fato de ter passado ilesa em todas as denúncias, poderia engrossar ainda mais seu cartão de visitas de que não quer praticar a “velha política”. Seu ‘calcanhar de Aquiles’ poderia ser mais uma vez a religiosidade. Isso ocorreu nas últimas eleições, quando lançou programa de governo em que defendia o casamento gay, mas voltou atrás dias depois de ter sido criticada por membros da bancada evangélica. Mesmo assim, poderia herdar muitos votos de insatisfeitos, tanto do PT como do PSDB. Tem potencial enorme para vencer as eleições.

– TEMER/CUNHA/CALHEIROS (PMDB)
Convenhamos, o PMDB não tem a mínima chance de vencer as eleições. O desejo nutrido por alguns de seus membros, de uma chapa com candidato próprio, seria um suicídio. Seus nomes mais expressivos a nível nacional estão atolados em denúncias e investigações: Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros. Se levadas adiante, investigações poderiam muito bem acarretar em afastamentos de cargos e/ou prisões. A não ser, é claro, que se faça manobras de arquivamento de denúncias ou se altere a constituição favorecendo-os. Um verdadeiro golpe! Por isso creio que, no máximo, o PMDB irá apoiar um dos candidatos – se não acabar ruído mais uma vez, dividido entre Marina Silva e o candidato tucano.

– JAIR BOLSONARO (PSC)
É inegável que Bolsonaro fará mais votos que Pastor Everaldo – último candidato do PSC. Além dos simpatizantes da extrema-direita que costumeiramente o acompanham, contaria a partir de agora com o aval de evangélicos mais fanáticos, como Silas Malafia e Marco Feliciano (muito possivelmente, seu candidato à vice-presidência). Em contrapartida, sua saída do PP pode fazer com que perca votos conservadores, mas que continuarão acompanhando o partido. Aliás, os progressistas apoiariam quem? Muito possivelmente, depois de anos surfando na onda petista, teriam o mesmo rumo do PMDB: apoiando Marina ou Aécio/Serra/Alckmin. Voltando a Bolsonaro, se não ficar caricato demais, poderia encontrar eco entre os discursos raivosos – como aos que pedem pena de morte, por exemplo – e chegar, no mínimo, a um segundo turno. Não acredito que o grau de insanidade do brasileiro já alcançou o ponto de elegermos uma figura pitoresca como esta.

– LUCIANA GENRO (PSOL)
Por fim, chegamos à proponente indireta deste debate. Caso o PSOL refaça sua aposta em Luciana Genro, muito provavelmente ficará longe da briga eleitoral mais uma vez. Continuará a levantar pautas polêmicas em debates, a colocar ‘figurões’ contra a parede, mas sem força para conquistar as classes média e baixa por completo. Por isso escrevi, lá no primeiro parágrafo do post, que o pedido de Luciana parece ingênuo. Ela não conseguirá mobilizar as massas pelo simples motivo de que, assim como sentenciou Aécio Neves, segue sendo vista como ‘linha auxiliar do PT’. A demonização do PT não atingiu apenas o partido, mas boa parte das chamadas bandeiras de esquerda. Deu força ao lado mais conservador das pessoas, que considera o PSOL (erroneamente ou não) uma representação antiga do PT. Isso só poderia mudar de figura em caso da escolha por outro nome, um pouco mais propositivo e menos agressivo, como do deputado carioca Chico Alencar. Mesmo assim, chegar a um segundo turno já seria ‘ato heroico’.

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