Homem belo, recatado e do lar

bazar01Para você que leu a matéria de péssimo gosto da Revista Veja, que tenta promover a “quase primeira-dama” Marcela Temer aos moldes das mulheres da década de 1950, e não vê problema nisso, inverta os papéis. Verás o quanto machista é a sociedade brasileira. E se ainda assim continuares vendo este discurso apenas como mais uma bandeira “de esquerda”, lamento pela sua esposa, filha, mãe, avó, tia, neta e/ou sobrinha. Mas vamos lá, deixe sua mente voar e imagine o quadro…

“Marcelo tem 32 anos, é formado em direito, mas nunca exerceu a profissão. Sua única experiência no currículo foi um curto período como recepcionista e um concurso de beleza no interior de São Paulo. Mas não venceu, ficou em segundo lugar. Hoje em dia, segue sem emprego. Gasta as horas no conforto do lar e sua única distração é levar e buscar o filho da escola – enquanto a esposa, 40 anos mais velha, trabalha como servidora pública. Ah, nas horas vagas – já que tem muitos funcionários para limpar e servir a casa -, ele gosta de ir à academia cuidar dos músculos. “Marcelo sempre chamou a atenção pela beleza, mas sempre foi recatado. Gosta de usar calças compridas que não mostrem o tornozelo quando senta. É recatado!”, conta o estilista do rapaz. Também fica lendo as notícias na internet e conta para a esposa o que anda acontecendo no país. Mas isso só acontece três dias na semana, quando estão na mesma cidade. Pois enquanto a esposa trabalha de segunda a quinta-feira, Marcelo vai para a casa do pai – um homem negro cor de jambo, olhos escuros, que fez questão de acompanhar o filho (ainda adolescente) no primeiro encontro do casal.”

E aí, em nenhum momento você sorriu envergonhado? E se eu complementasse que este tal Marcelo descrito ali em cima é o mais novo namorado da presidente da República, Dilma Rousseff, que recebeu um perfil numa revista de alta circulação para ser aceito na sociedade brasileira? Você aceitaria um trintão, sem emprego, que gasta as horas na academia e na casa mãe, como “primeira-dama”? Não, né? Isso é coisa de mulher! E para um homem, estar desempregado, matando tempo em casa e sendo sustentado pela mulher, é “coisa de vagabundo”. Não é? E não me venha com o papo de ser evoluído, que na sua casa até ajuda a esposa a arrumar a cama: “Eu também lavo a louça!”. Você não está ajudando, você está exercendo o seu papel. A casa não é dos dois?! Por que cabe apenas à mulher os deveres domésticos? Não sou o maior dos exemplos a serem citados, mas choca-me ver como (ainda em 2016) estamos amorfos diante de um cenário desse: uma mulher “bela, recatada e do lar”. Praticamente um bibelô! Poupem-me dessa! Definitivamente, não é este Brasil que quero. Sonho com cada vez mais mulheres livres (para serem bonitas como desejarem), politizadas (ao invés de recatadas) e trabalhadoras (dividindo igualitariamente os afazeres do lar).

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