Mesmo que doa, prefiro sem cuspe

bazar01Calma! O título pode sugerir um cunho sexual, mas não é a intenção. Quero falar sobre a mais nova onda de debates que tomou conta do cenário político brasileiro: vale cuspir em quem te agride verbalmente? Embora o comportamento tenha vindo de pessoas consideradas ideologicamente de esquerda (e eu me considero um cidadão com ideias rotuladas assim também), teimo em ver com naturalidade tal comportamento. Para mim, cuspir é sim um ato agressivo! Seria capaz de cuspir em alguém talvez em último ato de defesa, de mãos amarradas e sendo torturado fisicamente. Para uma agressão verbal, jamais! A uma agressão física, talvez fugisse. E, encurralado, tentaria me defender com socos, pontapés ou que me viesse pela frente. Do contrário, sou avesso a agressões físicas.

Este debate iniciou na votação do impeachment na Câmara dos Deputados, em Brasília, quando Jean Wyllys (PSOL) cuspiu na direção de Jair Bolsonaro (PSC). O motivo alegado foi defesa contra xingamentos homofóbicos. Não quero inocentar Bolsonaro – até porque é um sujeito que me causa repulsa com seu discurso enaltecendo torturadores da ditadura militar -, mas não vejo como a melhor maneira para se defender. Há meios legais para recorrer de uma agressão (ainda mais vinda de um parlamentar!). Neste caso, um processo por danos morais seria mais apropriado. Mas não parou por aí! O último foi o ator global José de Abreu, abertamente identificado com o PT. Segundo o próprio relatou via Twitter, ele e sua esposa foram hostilizados por pessoas contrárias ao governo Dilma em um restaurante e, em resposta, soltou um cuspe na cara de seu agressor. Ok, entendo que para chegar a tal ponto, os xingamentos devem ter passado dos limites. Mas e se fosse o contrário?

Defeito ou virtude, tento me colocar no lugar do outro. Claro que não vou sair por aí hostilizando alguém que não conheço somente pelo fato de ter uma ideologia política ou opção sexual diferente da minha, mas odiaria receber uma cusparada na face. E se os simpatizantes do tal Bolsonaro se sentirem no direito de cuspir em mim pelo fato de eu sentir ojeriza ao político e ter manifestado isso aqui no blog? Ou cada um que se sinta atingido pela opinião contrária, puxe um catarro do pulmão? Viveremos uma guerra de cuspes! Temer cuspirá em Dilma, que cuspirá em Eduardo Cunha, que cuspirá em Chico Alencar, que cuspirá em Marco Feliciano, até que o cuspe atinja a ti. Não, né?! Por isso, sentiu-se ofendido, procure um policial ou advogado. Por mais que tenha doído, não revide. Sem cuspes, por favor!

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