Diretas jaz!

bazarQuando era criança, me deparei pela primeira vez com um adesivo no guarda-roupa da minha tia: “Diretas Já!”. Na época, não entendia o que aquilo queria dizer. Pois na manhã desta quinta-feira, dia 12 de maio de 2016, tive uma aula de história. Senti o peito amargurado, tal qual devem ter sentido lá em 1984: Tancredo Neves, Leonel Brizola, Miguel Arraes, Ulysses Guimarães, Chico Buarque, Fafá de Belém, Osmar Santos, Sócrates, etc. Vi o Brasil voltar, do dia para a noite (ou melhor, da noite para o dia), às eleições indiretas. Sim, pois a votação no Senado não só afastou Dilma Rousseff como empoderou pessoas sem a legitimidade e representatividade  das urnas para governar. Votação semelhante a que colocou José Sarney na presidência, em 1985.

Pois não é apenas Michel Temer que assume o cargo máximo da República. Ao lado dele, partidos que fizeram oposição ao PT durante a última década (PSDB e DEM, por exemplo), ganharão cargos – seja ministérios ou pastas consideradas menores. E assim, sem mais nem menos, tornam-se governo. Reflita! Não há moralidade em  partidos políticos que, derrotados nas urnas no último pleito nacional realizado em 2014, utilizam-se de atalhos para alcançar o poder. Enganou-se quem pensou que os políticos favoráveis ao impeachment estavam lutando pelo fim da corrupção. Brigavam, sim, para abocanhar uma teta no governo federal. O Partido dos Trabalhadores, Lula e Dilma foram apenas fachada. Eram só um obstáculo que não os deixavam alcançar os postos almejados.

Veja bem, não vou defender aqui o governo petista. Embora tenha visto avanços interessantes em políticas sociais, não compactuo com Mensalões e Petrolões. Tampouco engulo a própria coligação com o PMDB! E para os que provocam com a frase “você votou em Temer, ele apareceu na urna“, devolvo: o que é pior, votar em Temer como vice ou ver seu candidato majoritário puxar-lhe o saco para ganhar um cargo subalterno?Triste fim da democracia brasileira! O impeachment é um mecanismo desta referida democracia para retirar um governante impuro, mas não um atalho para empossar partidos que até ontem eram oposição e não tiveram capacidade de se eleger nas urnas. Por isso, estes mesmos foram contrários às Eleições Diretas. Com a desculpa da inconstitucionalidade, escondem a sua verdadeira incapacidade: convencer a maioria da população de que mereciam governar o país através do voto direto.

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