Ah, é sim!

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Reprodução da Capa da Revista Veja

Um segundo áudio do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, foi divulgado nesta quarta-feira pelo jornal Folha de São Paulo. Hoje foi a vez de conhecer o diálogo com Renan Calheiros, presidente do Senado. No início da semana, o envolvido foi Romero Jucá, então Ministro do Planejamento do governo Temer. Em ambos, fica evidente o medo de que a Operação Lava-Jato os alcançasse e o quanto era necessário tirar Dilma Rousseff da presidência para, em um ‘pacto’, paralisar as investigações. Enfim, descreve a arquitetura de um golpe político. O recibo de que o impeachment tinha apenas a intenção de abafar a Lava-Jato. Outra coincidência entre os dois grampos: Aécio Neves.

O candidato do PSDB derrotado no segundo turno das eleições de 2014, apresentado como antagonista às corrupções petistas, é citado mais de uma vez. De Machado para Jucá: “O primeiro a ser comido vai ser o Aécio […] O Aécio, rapaz… O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu que participei de campanha do PSDB“. De Calheiros para Machado: “Aécio está com medo. Me procurou: ‘Renan, queria que você visse para mim esse negócio do Delcídio, se tem mais alguma coisa“. Claro, através de sua assessoria de imprensa, o tucano nega ter se envolvido em esquemas. Alega estar sendo vítima de uma perseguição. Acontece que não é a primeira vez que o ex-governador de Minas Gerais e atual senador é citado.

Nas delações premiadas, foi presença constante. Segundo o doleiro Alberto Yousseff, foi beneficiado em desvios de Furnas em conjunto com o PP durante o governo FHC, de 1996 a 2000. A acusação foi reforçada pelo lobista Fernando Moura, referindo que um terço do valor desviado era destinado ao político do PSDB. O mesmo referiu o senador Delcídio Amaral, que ainda citou tentativa de interferência no mensalão mineiro na CPI dos Correios. Já o entregador de valores Carlos Alexandre de Souza Rocha, o “Ceará”, disse que Aécio recebia propinas da empreiteira UTC. Bom, se tudo isso foi denunciado à Polícia Federal, por que nada é feito? Pois saiba que, pela segunda vez, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal um pedido de abertura de inquérito contra Aécio Neves. E, pela segunda vez, o ministro Gilmar Mendes remeteu o pedido, suspendendo a investigação.

Que o governo PT foi responsável por um grande escândalo de corrupção na Petrobrás, eu não discuto. O que ponho em xeque é a confiança exacerbada que se deposita naqueles que se apresentam como oposição. Nos protestos a favor do impeachment, por exemplo, alguns manifestantes ostentavam uma camisa com o slogan: “A culpa não é minha. Eu votei no Aécio” – entre eles, o ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário. Aliás, a lista de apoiadores do candidato tucano esteve extensa durante o pleito, contendo celebridades como o apresentador Luciano Huck, a atriz Regina Duarte e o ator pornô Alexandre Frota. Isso sem falar no esforço tremendo que setores da imprensa fazem há muito tempo para apresentá-lo como um cidadão confiável, acima do bem e do mal, praticamente um super-herói (vide a capa da Revista Veja). Será que em nenhum momento algum deles colocou em dúvida a integridade moral de Aécio em meio a tantas acusações? Em nenhum momento houve um questionamento interno, por mais escondido que fosse: “Será que ele também é corrupto? Ah, é sim!”.

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