Propor ou reproduzir: o papel do jornalista

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Reprodução de imagem do filme ‘Batman Vs Superman’

Há alguns dias venho refletindo sobre o papel do jornalismo no mundo atual. Pode parecer simplista, pode ser que eu tenha chegado tardiamente à esta conclusão, e que para você não se trate exatamente de uma novidade. Entretanto, apresento-lhe minha tese mesmo assim. Não tenho como intenção ofender nenhum colega jornalista, tampouco decretar qual o modelo certo ou errado de exercer a profissão. Logicamente, tenho preferência por um dos lados. E você, escolhe o jornalismo propositivo ou o reprodutor?

O jornalismo propositivo é aquele em que se coloca o conteúdo em primeiro plano. Não que se exclui a possibilidade de apresentar infográficos, tabelas, trilha sonora ou uma imagem ilustrativa. Afinal de contas, tudo isso contribuirá para qualificar a informação e até torná-la mais atrativa. Geralmente, este tipo de jornalismo é visto como “chato”: longos textos de jornais/sites/revistas; entrevistas longas e sem edição, tanto para rádio ou televisão. Penso que realmente é preciso ‘maquiar’ o produto, torná-lo mais atraente e menos maçante. Contudo, não se pode renegar o verdadeiro princípio da matéria, que é a informação. E, além disso, instigar a dúvida no leitor/ouvinte/telespectador, apresentar ideias conflitantes, propor a ele um debate cultural (nem que seja consigo mesmo).

Já o jornalismo reprodutor, como o próprio nome sugere, apenas reproduz a cultura vigente. Este nem sempre se pauta pela informação. Ela até pode aparecer, embora em menor quantidade (como também pode ser totalmente ausente). Isso porque se pauta pela audiência. É simplesmente um produto que se molda à necessidade do consumidor. Sendo assim, não necessariamente são informativos, pois apenas repetem o que o leitor/ouvinte/telespectador já possui. Os programas de auditório são grande exemplo disso, com claquete de aplauso guiando até quando o quadro se estenderá, apresentando entrevistados ou atrações que não lhe fazem pensar, mas que estão ali por simplesmente possuírem ‘status’. Ou seja, se faz sucesso, continua no ar. Do contrário, “ih, fora!”. É a lógica de mercado, do vendável, do descartável, do que dá ibope ou não. De fato, não há problema em se encaixar neste perfil, em priorizar o que a maioria quer ler/ver/ouvir. Afinal de contas, é o que dá o resultado financeiro imediato. E, convenhamos, todos nós precisamos colocar pão em cima da mesa – até os ‘glamourosos’ jornalistas. Aliás, é neste caso que comumente lemos as seguintes manchetes para ilustrar manifestações de minorias: “Protesto bloqueia o trânsito“. No caso do jornalismo propositivo, a preocupação é saber o que faz aquelas pessoas saírem às ruas, impedirem que os carros continuem trafegando na avenida, o que as pauta, se há justificativa para tanto e qual a saída das autoridades para solucionar os problemas. Eu, particularmente, prefiro este, que me faz pensar. Mas respeito o contraditório. Há espaço para quem quer ser Superman, mas podemos ter mais Clark Kents por aí.

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Um comentário sobre “Propor ou reproduzir: o papel do jornalista

  1. A verdade é que precisamos nos dar conta que já não detemos o monopólio da informação, logo nós não somos mais necessariamente a fonte de nosso público, que hoje fica sabendo de fatos tanto na concorrência quanto e redes sociais.

    Pela tua analogia, o jornalismo propositivo é uma meta a ser buscada, mas não se pode abrir mão do jornalismo reprodutor – e não apenas por questão de audiência, como também pelo fato de mostrar conexão com público e sociedade.

    Cada vez mais acredito que temos que assumir um papel de curador das notícias. No teu próprio caso: num eventual boato de contratação de jogador pela Dupla Gre-Nal, o torcedor tem que acreditar em ti ao invés do que viu solto em redes sociais. Porque és um jornalista e tua palavra tem que ter credibilidade.

    Infelizmente, quando os próprios repórteres de modo geral se jogam apenas ao “jornalismo reprodutor”, minam a própria credibilidade. E aí dificilmente conseguirão propor algo.

    No mais, a reflexão sobre como podemos exercer a nossa profissão de forma melhor é sempre válida. Algo que também às vezes esquecemos de fazer.

    Abraço

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