Para onde foram os milhões de Cunhas?

bazar
Foto: Reprodução do Facebook de Eduardo Cunha

A cassação do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB/RJ) teve um “quê” de constrangimento. Foram 450 votos favoráveis ao afastamento, contra apenas 10 contrários. Além disso, 9 abstenções. Mas como pode ter perdido tanta força um dos políticos que, até bem pouco tempo, era aclamado por correligionários, movimentos e nas redes sociais como o ‘messias da democracia’? Durante os protestos que pediam o Impeachment da presidente Dilma Rousseff, surgiram inclusive faixas defendendo-o – algumas com os dizeres “Somos milhões de Cunhas”. Além do mais, vale lembrar que, quando eleito presidente da Câmara, o carioca recebeu 263 votos de colegas de plenário. Para onde foram todos eles nesta noite de 12 de setembro de 2016?

Não venham me dizer que só agora perceberam quem era Eduardo Cunha, depois de ouvir as acusações sobre contas na Suíça! Este é o mesmo cidadão que, apresentado por PC Farias, fez campanha para eleger Fernando Collor e, por “serviços prestados”, acabou sendo indicado à presidência da Telerj – cargo de onde foi afastado em 1993, pelo então governador Leonel Brizola, após suspeitas de superfaturamento de R$ 92 milhões. É o mesmo cidadão também que, em 1999, o TCE apontou irregularidades na construção de 10 mil casas populares enquanto era subsecretário de Habitação do então governador do Rio, Anthony Garotinho. Por fim, foi chamado publicamente de “achacador” em plena sessão da Câmara, em 2015, pelo então ministro da Educação, Cid Gomes. Sem contar as inúmeras vezes que foi citado em delações premiadas na Operação Lava-Jato. Ninguém sabia disso até ontem? E não me venha com o papo de “Meu Malvado Favorito”! Achei que não tínhamos “corruptos de estimação”.

Na verdade, Cunha foi um corrupto útil. Enquanto presidente da Câmara, sabia-se que ele era o único que, mesmo sendo de um partido do governo, não se furtaria de pedir o afastamento de Dilma. Jogou com isso enquanto pode, até perder o apoio velado dos petistas. Prova desta devoção demagoga é a foto publicada por ele próprio, em seu Facebook, quando recebeu líderes do MBL (Movimento Brasil Livre) e pousou para fotos ao lado de colegas deputados. Da tal foto (que ilustra este texto), quase nenhum seguiu ao seu lado: de Mendonça Filho (DEM) – hoje ministro de Temer -, passando por Carlos Sampaio (PSDB) e chegando à Jair Bolsonaro (PSC). O único talvez seja Paulinho da Força (Solidariedade) que, ao lado de Marco Feliciano (PSC), teve a ‘coragem’ de entrar para a história como integrante do grupo “Os 10 de Cunha”, votando contra sua cassação. Nem mesmo Kim Kataguiri, coordenador nacional do MBL – que chegou a receber credenciais do próprio Cunha para acompanhar ‘in loco’ as votações na Câmara – restou. Todos fugiram ou se arrependeram – incluindo apoiadores gaúchos como Sérgio Moraes (PTB), que preferiu não comparecer em Brasília nesta noite, e Darcísio Perondi (PMDB), que fazia campanha para colocá-lo na presidência da Câmara, mas votou pela cassação. De milhões, sobraram dez. E o agora presidente Michel Temer, será um destes arrependidos também?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s