Porto Alegre não tem nenhum ‘esquerdopata’ para jogar a culpa

bazar01Estive há alguns dias no Rio de Janeiro. Vi o sorriso tranquilo estampado no rosto dos cariocas. O segundo turno das eleições para a prefeitura tem Marcelo Freixo, “um amigo e defensor de bandido“, como disse-me um taxista local. Logo, não há dúvidas de quem demonizar. Ainda mais estando frente a frente com um homem da igreja: nada mais, nada menos que Marcelo Crivella (assim mesmo, com dois ‘L’s’). Por isso, a população está tranquila em quem vai escolher nas urnas. Já em Porto Alegre a situação é completamente diferente. Aqui não há nenhum ‘radical de esquerda’ para chamar de seu. PSOL e PT morreram na casca, “graças a deus”! Por outro lado, há quase uma hidra de Lerna. Um dragão com apenas duas cabeças, que se bicam o tempo inteiro. Mas elas pertencem ao mesmo corpo e não há como detê-la.

Imagina que ótimo seria ter os ‘black blocs’ para apontar como culpados pelos tiros ou apedrejamentos ao comitê do candidato Nelson Marchezan Júnior, do PSDB! Houve também o episódio lamentável da morte de um dos coordenadores da campanha de Sebastião Melo, do PMDB. Ainda sob investigação, a polícia trabalha com a hipótese de suicídio, pois ele estaria sofrendo ameaças via telefone. Mas quem seria capaz de uma barbaridade dessas? Um membro do MST (Movimento Sem Terra) certamente, desde que tivesse quem apoiar no segundo turno. E o incêndio criminoso no DEP (Departamento de Esgotos Pluviais), que queimou arquivos importantes para a investigação sobre corrupção? Ah, podia ser obra da CUT (Central Única dos Trabalhadores)! Mas desta vez não há ninguém. Nenhum ‘esquerdopata’ leitor de Marx, influenciado por Paulo Freire e Gramsci, e violento por natureza. Então, quem fez?

Os dois candidatos, representantes natos da tradicional família brasileira, da moral e dos bons costumes, jamais chegariam a um nível tão baixo. Nunca protagonizariam cenas como essa, que parecem pertencer ao período ‘castilhista’ do Rio Grande do Sul, onde costumava-se degolar os adversários na beira do rio. E seus apoiadores? Não! Jamais o MBL (Movimento Brasil Livre) se prestaria a tal desserviço à democracia! Vimos nas manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff que eles organizaram passeatas completamente pacíficas, que sequer atrapalhavam os policias, deixando-lhes tempo de sobra para selfies. Logo, estão descartados. Por isso há uma certa intranquilidade no ar porto-alegrense. Não há em quem jogar a culpa. Que falta faz a esquerda!

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