Há semelhanças entre o MBL e os integralistas de Plínio Salgado?

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Desde a morte de Plínio Zalewski (um dos coordenadores da campanha de Sebastião Melo à prefeitura), nunca se falou tanto em MBL em Porto Alegre. Há alguns dias, Juliana Brizola, a vice do candidato peemedebista, deu discurso inflamado na Assembleia Legislativa, alegando ter sido agredida e perseguida por membros do MBL. Mas afinal de contas, o que é MBL? O Movimento Brasil Livre nasceu das manifestações de 2013, destacando a nível nacional jovens como Kim Kataguiri e Fernando Holiday, que apresentavam-se como oposição ao governo de Dilma Rousseff. Organizaram nos dois anos posteriores as principais passeatas contra a petista, e apoiaram políticos (com ou sem candidatura) de oposição – como Aécio Neves e Eduardo Cunha (há a fatídica foto em que os líderes do movimento aparecem sentados à mesa com o então presidente da Câmara dos Deputados, hoje preso pela Polícia Federal). Ok, mas eles são um partido político? Não, apenas um movimento. Assim como tantos outros que existem e já existiram no país. Alguns de sigla bem semelhante. Você já ouviu falar na AIB, de outro Plínio, por exemplo?

A Ação Integralista Brasileira foi um movimento político existente na década de 30, que pretendia derrubar a ditadura de Getúlio Vargas e que se apresentava como oposição total ao comunismo – protagonizando escaramuças em via pública contra os membros da ANL (Aliança Nacional Libertadora), de orientação marxista. Liderados por um político chamado Plínio Salgado, seus simpatizantes cumprimentavam-se com a palma da mão estendida (lembrando os fascistas) e com uma saudação em tupi, que queria dizer ‘você é meu irmão’: “anauê”. Ostentavam braçadeiras com a letra grega sigma (símbolo do movimento) e usavam fardas verde-oliva – o que gerou o apelido jocoso de “galinhas verdes”. Para as eleições presidenciais de 1938, apresentariam candidato à presidência, mas logo reclinaram já que Getúlio prometera transformar Plínio em ministro da educação. Porém, com o surgimento de um documento (chamado Plano Cohen) que denunciava uma revolução comunista no Brasil, Getúlio instaurou o ‘Estado Novo’ e baniu todos os partidos políticos – para a ira dos integralistas, que meses depois organizaram uma emboscada no Palácio Guanabara para matar o presidente. Aliás, com o passar do tempo, soube-se que o tal ‘Plano Cohen’ era falso, redigido por um militar simpatizante da AIB: Olímpio Mourão Filho, um dos líderes do golpe de 1964, diga-se de passagem.

É importante dizer que não chegamos a este extremo nos tempos atuais. Ainda não! Entretanto, há semelhanças marcantes entre MBL e AIB. Ambos condenam o marxismo, organizaram passeatas contra o governo e puxam pelo nacionalismo em seus discursos. Uma diferença: os integralistas não eram favoráveis ao liberalismo, defendido pelo ‘Brasil Livre’. Desta vez também não há Luís Carlos Prestes ou Getúlio Vargas. Mas no cenário porto-alegrense, há o PT (mais marginalizado do que nunca, tal qual os comunistas de Prestes) e um combate estridente aos candidatos do PMDB/PDT – com direito a acusações de que estão sendo perseguidos pelas ruas, filmados e fotografados. Acontece que este mesmo PMDB, que hoje reclama de hostilizações por parte do MBL, foi um dos principais financiadores do movimento durante os atos pró-impeachment. Aliás, durante as sessões na Câmara, receberam crachás irregulares de Darcísio Perondi, deputado gaúcho e peemedebista. Ou seja, engordaram o ganso, mas não conseguem assá-lo e servi-lo à mesa. Logicamente, há membros pacíficos dentro do MBL. Todos defendendo a ideologia neoliberal – da qual não sou simpatizante, mas reconheço a livre manifestação. Contudo, é importante que o movimento busque identificar dentro de sua neófita organização as pessoas que andam radicalizando o debate político na Capital. Negar a existência de maçãs podres, separando o jogo sempre entre ‘nós somos puros’ e ‘eles não’, jamais será salutar. Assim como os radicais de esquerda, os radicais de direita não tornam a democracia um ambiente saudável. Antes que seja tarde!

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