Não façam me sentir culpado por anular meu voto pela primeira vez

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Inicialmente, quero pedir desculpas a todas as pessoas que lutaram e/ou morreram durante a ditadura militar para que o voto direto fosse um direito da população brasileira. Por respeito a estes democratas, que tiveram seus direitos sonegados durante muito tempo no país, defendi até a eleição deste ano que nenhum eleitor se omitisse da escolha votando branco ou nulo. Entendia que era preciso escolher entre os candidatos, aquele que mais tivesse semelhanças com suas bandeiras ideológicas – nem que fosse o ‘menos pior’ no pleito. Lembro uma por uma das pessoas em quem votei ao longo da minha vida – seja para cargos do Legislativo, como do Executivo. Em duas oportunidades, não consegui votar porque estava trabalhando na cobertura jornalística fora da minha cidade, e lamentei demais não conseguir apertar os botões da urna. Gosto de exercer meu direito ao voto, gosto de política. Contudo, desta vez me vi ‘baqueado’ em frente à urna. Nenhum dos políticos que chegaram ao segundo turno das eleições em Porto Alegre contemplava minhas esperanças. Não quero ser um ‘Toniolo’, que pixa e cola adesivos pela cidade, incentivando outras pessoas a votar nulo. Mas desta vez, anulei. Foi minha primeira vez e não foi bom. Só não me façam sentir culpado: não fui responsável por este quadro apresentado no segundo turno!

Estou insatisfeito com a atual gestão da prefeitura de Porto Alegre – com suas obras atrasadas, água com gosto de esgoto, serviço caótico de transporte público, etc. Isso faz com que, obviamente, eu não seja um apoiador de Sebastião Melo (PMDB), vice-prefeito de José Fortunati. Bom, mas se quero mudanças, por que não votei no opositor Nelson Marchezan Júnior (PSDB)? Simplesmente porque, aos meus olhos, ele não representa uma oposição. Basta perceber o seguinte: a Fasc (Fundação de Assistência Social e Cidadania) e o DEP (Departamento de Esgoto Pluvial), investigados pelo Ministério Público por corrupção, são geridos pelo PP (Partido Progressista). Pois, para quem não sabe, os ‘progressistas’ não só indicaram o próximo vice-prefeito Gustavo Paim, como também coordenaram a campanha de Marchezan através de Kevin Krieger – ex-presidente da Fasc. Logo, me sinto desobrigado a escolher pela mesma face da moeda. Talvez um mais radical do que o outro, mesmo assim o mesmo lado.

Por mais contraditório que pareça, sou contra o voto obrigatório. Aliás, sou contrário a quase todas obrigatoriedades impostas pela vida social. Entendo que o cidadão não deve ser forçado a comparecer nas urnas, e sim ser motivado a votar pela educação política, por suas convicções de que a democracia é sempre a melhor via. Mas desta vez gostaria de ter me feito ausente na zona eleitoral. Ao mesmo tempo, sinto-me desrespeitando aqueles que, de 1963 a 1985, viram-se impedidos de eleger o prefeito de Porto Alegre. Entre Sereno Chaise e Alceu Collares, os prefeitos foram indicados pelo regime militar ou pelo voto indireto. Agora não! Teve-se o poder de escolha. Mas desta vez, não consegui escolher. Sinto muito! Encaro minha atitude também como um ato democrático. Não escolher nenhum é dizer que não quis nenhum dos dois ali, e que não concordo com o quadro proposto pela maioria. Sem culpa!

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