A crise da política brasileira pode ser maior do que a crise da esquerda

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Inevitavelmente, as eleições municipais deflagram uma grave crise da esquerda brasileira. Mas nada de “chola mais” ou “chupa, esquerdopata“. Não há motivo para comemorar. Isso porque, talvez maior do que o buraco negro em que se enfiaram partidos como PT/PCdoB/PSOL, é a crise da política brasileira em si. Ou você consegue ignorar o alto número de votos inválidos? Sim, considere as abstenções, votos nulos ou em branco. Três importantes capitais do país seriam governadas por eles – ou seja, por “ninguém”: Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Isso é um claro recado de descrédito na classe política (ou simplesmente nos candidatos que se apresentaram aos pleitos).

Na capital gaúcha, Nelson Marchezan Júnior (PSDB) venceu Sebastião Melo (PMDB), mas acabou vencido pela insatisfação que alcançou 39,48% do eleitorado (ou 433.751 eleitores) – enquanto o tucano obteve 36,61% (402.165 votos). Sendo que, do primeiro para o segundo turno, aumentou em mais de 50 mil o número de pessoas que optaram por votar em ninguém. Para se ter uma ideia, há quatro anos o cenário era diferente. O pedetista José Fortunati foi escolhido em primeiro turno tendo 517.969 votos, contra 282.048 que alcançou a soma abstenções/brancos/nulos. Por quê as pessoas pararam de escolher? O fenômeno no Rio de Janeiro conseguiu ser ainda maior. O bispo licenciado Marcelo Crivella (PRB) cativou 34,70% do eleitorado, mas perderia para os 41,53% que resolveram não escolher ninguém. Em Belo Horizonte, a disputa foi mais apertada, mas o ‘ninguém’ venceria por 33,31% a 32,58%, dos votos obtidos pelo ex-presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil (PHS). Um verdadeiro fiasco!

Para os resultados apresentados, duas soluções. A primeira é tirar a obrigatoriedade do voto, ou seja, instituir o voto facultativo. Assim, comparecerá às urnas quem realmente quiser, quem tiver um candidato a votar. Contudo, isso não faria o número de abstenções diminuir – pelo contrário! A outra ideia é, quando a insatisfação com os candidatos apresentados alcançar tamanha expressividade (principalmente através de votos nulos ou em branco), que se cancele o pleito e convoque-se novos candidatos. Do contrário, teremos o cenário que se dará nestas três cidades citadas acima: prefeitos que possivelmente terão representatividade em suas Câmaras de Vereadores, mas desacreditados pela maioria da população de suas cidades. É a política partidária alcançando um saldo muito negativo pelo Brasil.

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