Eleição de Trump nos EUA comprova que o mundo está doente

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Como pode um país que elegeu e reelegeu Barack Obama – o primeiro presidente negro e um cidadão de mente aberta (para os padrões americanos), progressista e liberal no real sentido das palavras – agora escolher Donald Trump? Trata-se de um ‘outsider’ (ou seja, alguém de fora da política), extremamente machista (que já demonstrou inúmeras vezes como aprecia a objetificação da mulher) e que serve de porta-voz do discurso raso pela família ‘de bem’, contra as minorias e imigrantes. Portanto, a antítese de seu antecessor. Já ouvi e li por aí que para os brasileiros pouco importaria quem venceria as eleições nos Estados Unidos. Errado! A maior potência econômica e militar é, obviamente, um termômetro do mundo. E o termômetro aponta uma febre terrível na Terra. A onda está só começando a tomar conta do planeta.

Para quem não acompanhou as promessas de campanha, discursos e manifestações de Trump, aqui vão algumas pequenas lembranças:
Com certeza, o maior absurdo foi a promessa de que construiria um muro para separar os Estados Unidos do México, para impedir que os latinos continuassem entrando em território norte-americano. E pior, exigiria que o governo mexicano pagasse pela obra;
– Para combater o terrorismo, prometeu exportar todos os muçulmanos de volta ao seus países de origem, como se todos fossem ‘homens e mulheres-bomba’ em potencial;
– Disse que o aquecimento global é uma falácia, que tem como única intenção atrapalhar o crescimento das fábricas americanas. Por isso, ameaçou cancelar o acordo da ONU que assegura a diminuição da emissão de gases;
– Chamou de obsoleta e ameaçou deixar a OTAN, aliança militar dos países europeus com os Estados Unidos, que serve como um pacto antiguerra e de proteção entre si;
– Posicionou-se contrário ao ‘Obamacare’, lei que assegurou o seguro de saúde público à população – priorizando os mais carentes. Uma espécie de Sistema Único de Saúde (SUS) norte-americano.
– “Eu sou automaticamente atraído pela beleza. Eu simplesmente começo a beijá-las. É como um ímã. Somente beijo. Nem espero. (…) Quando você é uma estrela, elas deixam você fazer isso. Você pode fazer qualquer coisa. (…) Pegue elas pela boceta. Você pode fazer qualquer coisa”. Estas frases expostas entre aspas foram ditas por Trump em um vídeo divulgado durante a campanha, em que o novo presidente americano explicava como deu em cima de uma mulher casada, em um comportamento de claro assédio sexual. Depois da divulgação, pediu desculpas, alegando que aquela era uma “conversa de vestiário” – ou seja, não que estivesse arrependido, apenas não deveria ter vazado.

Não fique tão horrorizado assim! Discursos como os de cima são encontrados em todo o mundo, na boca de cada vez mais cidadãos comuns. Muitos são seus vizinhos e parentes. Consequentemente, o número de políticos que defende tais medidas ganha força com a eleição de um dos seus ao cargo máximo da maior potência militar e política do mundo. O discurso contrário a imigrantes encorpa na Europa, como por exemplo com a francesa Marine Le Pen. Para o russo Vladimir Putin, a OTAN não só é obsoleta como inimiga. E aqui, no Brasil, gastos com saúde pública são supérfluos para o atual governo Temer e seus asseclas. Mas o pior ainda está por vir. Discursos de ódio encontram terreno fértil no terrorismo e no medo. E nós vivemos assim ultimamente. Trump é uma mistura de Silvio Santos, Roberto Justus e Jair Bolsonaro. Mas antes que você esboce um sorriso e pense “então Trump está certo“, lembro-te que ainda és um latino. Portanto, apenas mais um imigrante ou turista nos EUA. E se achas que vamos ser beneficiados por qualquer uma de suas ações, vale parafrasear o multimilionário em seu tradicional programa de TV: “Você está demitido!“.

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