Menos mal que os fascistas não são ateus

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É melhor ser ateu do que católico hipócrita“, disse o Papa Francisco em discurso na manhã desta quinta-feira, referindo-se a pessoas que vão à missa, dizem-se católicos, mas têm “negócios sujos” e se “aproveitam das pessoas“. Para mim, um ateu assumido, é tão bom ouvir/ler isso vindo de um papa. Digo isso porque, quando resolvi me declarar ateu aos amigos e família, foi inicialmente um choque. “Então és um adorador do diabo!?“, não, pois não acredito nem em deus ou no diabo. “Achei que tu era uma pessoa boa“, sim, continuo sendo, pois a ausência de uma religião não me obriga a sair por aí maltratando pessoas. Pelo contrário! O que vimos e continuamos vendo nos últimos tempos é exatamente o contrário. E é exatamente este o ponto que ainda nos salva: a hipocrisia de quem se diz cristão, mas age como um fascista.

Educado por pai e mãe cristãos, Adolf Hitler não seguia uma Igreja específica, mas acreditava em Deus e até mandou colocar a seguinte frase nas fivelas dos uniformes militares alemães: “Gott mit uns” (Deus está conosco). Na Itália, Benito Mussolini – o pai do fascismo – não só era católico como teve a Igreja ao seu lado para chegar ao poder. Relações semelhantes ocorreram na Espanha de Franco, em Portugal de Salazar – isso sem citar a Marcha com Deus pela Liberdade, que abriu as portas para o golpe militar no Brasil. Portanto, não é de hoje que o fascismo e o cristianismo estranhamente se abraçam. Mas repito: é a nossa sorte.

Cheguemos então aos exemplos modernos de fascistas. Embora moderados em relação aos citados anteriormente, são igualmente propagadores de anti-semitismo ou mensagens de ódio. Donald Trump, novo presidente dos Estados Unidos, é presbiteriano assumido. Ao mesmo tempo em que quer um muro na fronteira com México, quer derrubar a Emenda Johnson – que em 1954 definiu que líderes religiosos estariam proibidos de se manifestar politicamente. No Brasil, seu representante mais próximo é Jair Bolsonaro. Atualmente ligado ao PSC (Partido Social Cristão), promete concorrer à presidência e angaria seguidores com frases do tipo: “bandido bom é bandido morto“. Mas não se furta em questionar a laicidade do Estado brasileiro. Todos eles, segundo à frase do Papa Francisco que abre este texto, são religiosos “hipócritas” então. E pasmem, meus amigos, ainda bem que eles não são ateus. Fossem, não teríamos nenhum argumento para cessar as suas insanidades. Enquanto ainda se dizem cristãos – ou tementes a um deus da compaixão – ainda podemos questioná-los sobre a incoerência de seus atos e a palavra pregada por seus ídolos. Fossem ateus, seguiriam apenas os seus instintos. E aí, seriam apenas fascistas. Puros! Sem hipocrisia mesmo. Não que os ateus sejam maus. Pelo contrário! Os ateus não são é hipócritas. Se fazem o bem, é porque realmente o são. Se fazem o mal…

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Um comentário sobre “Menos mal que os fascistas não são ateus

  1. Musslini não era cristão. Ele era ateu, e fã de Nietzsche. A aliança com a Igreja foi puramente pragmática. Hitler também não era cristão, era uma espécie de deísta. O fascismo é uma ideologia secular e moderna, muito diferente do que a cultura popular esquerdista ensina.
    Ass: um fascista ateu

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