Diretas! Independente de endireitar ou não

bazar
Se compararmos à cobertura feita da manifestação de março de 2015, que pedia o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, o protesto do último domingo em Copacabana (a favor de eleições diretas) não recebeu nem a metade da repercussão na mídia. Nem mesmo a presença de inúmeros atores, ou shows de alguns dos maiores nomes da música – do passado e do presente, como Caetano Veloso, Milton Nascimento, Mart’nália e Criolo – sensibilizaram a grande imprensa brasileira. Jornalisticamente falando, há uma grande diferença de tratamento numa transmissão ao vivo para uma matéria de 2 minutos. Nem flashes ao vivo? Mas ok, entende-se! A pauta simplesmente não interessa. Por que ‘Diretas Já‘ é inconstitucional? Não! Porque o voto direto neste momento poderia eleger alguém que brecaria as reformas previdenciária e trabalhista. Por isso, mesmo que Michel Temer seja derrubado, é preciso garantir que o sistema vá se proteger através de uma eleição indireta como manda a Constituição Federal (agora convém respeitá-la!). Nem todos os jornalistas pensam assim, mas esta é a linha editorial a que eles estão submetidos. É a lógica patronal – desde a fábrica de automóveis, à fábrica de notícias.

Lula. Este é o nome citado em qualquer debate proposto sobre Diretas Já! Que o TSE retire o candidato petista da corrida eleitoral então. E que o argumento que lhe impediria (o fato de ser um dos principais investigados da Operação Lava-Jato) também impeça outros nomes de entrarem no páreo. Não me importo. Não votaria em Lula pelo fato de ser ele um potencializador da polaridade atual. Prefiro alguém que soe mais conciliador ao ambiente político e mercado econômico – desde que este também não dê as costas para o bem estar social. Se você é contrário às “Diretas” pelo fato de que Lula lidera as pesquisas atuais, não é o oposto que me faz acreditar nas “Diretas” como a solução plausível. Não votaria também em Jair Bolsonaro ou João Dória Jr, outros possíveis candidatos. Mesmo assim, se for a vontade da maioria, aceitaria a vitória de um deles.

Acima das minhas ideologias, entendo que o Brasil precisa ter um presidente com legitimidade popular. Neste período de descrédito, é preciso devolver ao povo o direito de escolher seu governante, e não terceirizar a decisão a um colegiado (putrefato, diga-se de passagem). Aceitaria a eleição de qualquer um, nem que seja alguém que eu não concorde. Nem que fosse o próprio Temer! Alguém que, assim como ele, daria continuidade às reformas das quais sou contrário nesta maneira que se propõem. As mesmas reformas que os grandes empresários têm medo que não aconteçam. Os grandes empresários de todos os ramos – inclusive das grandes empresas de comunicação. As mesmas empresas de comunicação que omitiram (ou minimizaram) vergonhosamente o pedido por Diretas Já do noticiário jornalístico.

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