Lula fará mal às eleições de 2018

bazarPor favor, não fique apenas no título para tirar suas impressões sobre este texto. Acompanhe minha lógica e reflita – mesmo que vá discordar depois. Se você se considera de direita, ainda não atire rojões. Concordamos que Lula não pode ser o próximo presidente do Brasil, mas isso não quer dizer que estamos do mesmo lado da trincheira. Se és de esquerda, espere um pouco antes de xingar minha quinta geração. Ainda não somos tão antagônicos. Se concorrer nas eleições de 2018, Lula irá polarizar de vez o país, extremar posicionamentos e dizimar qualquer possibilidade de debate político. Estaremos à beira de uma guerra civil ou de nervos.

Não é mais uma questão de foi ou não golpe. A candidatura de Lula pelo PT é puramente uma questão de ego. Não há projeto envolvido. E mesmo que haja, não terá a mínima condição de ser colocado em prática. O pleito de 2014 mostrou que, mesmo colocando Dilma Rousseff no posto majoritário, o brasileiro médio é conservador e continuará alimentando a “bancada da bala”, evangélica, dos empresários, e etc. Ou seja, caso confirme as pesquisas e seja eleito, Lula não terá maioria no Congresso. Não terá governabilidade, não poderá repetir os programas sociais implantados a partir de 2002 e talvez até sofra impeachment. Vimos esse filme, não? Logo, para que gastar saliva em um debate infrutífero? Você poderá argumentar que essa é a única chance do PT (ou da esquerda) eleger um presidente. Eu respondo: que se lance qualquer outro e se perca a eleição! Dos males, o menor.

As pesquisas mostram que, sem Lula no páreo, crescem nomes como de Marina Silva (REDE). É o ideal? Para mim, não. Mas bem mais distante do que pode vir. Tenho acompanhado uma tentativa desesperada de descolar o PSDB da direita. Embora ostente o nome da social-democracia, este partido nada mais foi desde seu princípio do que o representante máximo do neoliberalismo no Brasil – a favor das privatizações e do livre mercado. Aliás, os nomes dos partidos brasileiros são apenas uma questão de semântica. O Partido Progressista, por exemplo, não tem nada de progressista e há tempos elege políticos liberais e conservadores (no Rio Grande do Sul ainda representa a classe dos estancieiros). O Partido Comunista do Brasil não tem nada de comunista, sendo no máximo trabalhista. O Democratas é o antigo PFL, uma dissidência do PDS, que na época da ditadura foi a ARENA, braço político dos militares. Logo, na sua origem, não foi democrata. Enfim, tudo isso para dizer que, ao passo que Aécio Neves – principal representante da direita em 2014 – aparece ligado a esquemas de corrupção, já é descartado como um opositor a Lula. O processo respinga, obviamente, no partido, a ponto de ter quem veja no governo paulistano de João Dória Júnior aspectos de centro-esquerda. Ok, para quem está localizado nas extremidades do espectro político, PT e PSDB são basicamente irmãos siameses – o que é claramente um absurdo. E isso é culpa de Lula! Sim, é ele quem promove no inconsciente popular estas reações polarizadas. Com ele nas urnas, a tendência é o brasileiro buscar sua oposição mais gritante: Jair Bolsonaro.

Não há problema em ser liberal. Não sou um adepto deste pensamento, sou a favor do Estado de Bem-Estar Social, mas reconheço e respeito o liberalismo. Acontece que, muitos dos votos que seriam depositados em candidatos liberais, com a presença de Lula no pleito, irão parar em Bolsonaro. Embora sejam opostos, os dois pré-candidatos tem uma semelhança: ambos despertam ódios e paixões. Para seus adeptos, é como se não existisse mais ninguém ao meio. É 8 ou 80! Quando na verdade, não é bem assim. “Bolsonaro não é corrupto!“, dizem os que o defendem. Minha avó também não é, e isso não faz dela uma potencial presidenciável. Falta ao deputado carioca conhecimento político, econômico e histórico. Ex-militar, defende abertamente o governo ditatorial das décadas de 60 a 80 (o que é um contrassenso para os liberais, uma vez que qualquer ditadura se utiliza do Estado para privar o cidadão da liberdade tão defendida por Mises). Quando confrontado por ideias contrárias às suas, Bolsonaro parte para o confronto pessoal. Além disso, solta frases tão rasas como um pires: “se tem pena de bandido, leva para a casa“, “você (mulher) é feia e não merece ser estuprada“, “tive 4 filhos homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher“, “a pessoa não pode ter privilégio porque faz sexo com o órgão excretor“, “fui num quilombo e o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Nem pra procriador ele serve mais.” Convenhamos, se Lula não pode ser presidente – e eu concordo -, temos que ter uma solução melhor do que aquele que nos apresentam como seu principal opositor.

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