O ovo do fascismo também atinge Dória

bazarPara quem não acompanhou o caso, o prefeito de São Paulo, João Dória Jr (PSDB), foi atingido por uma ovada em Salvador na última segunda-feira. Justo ele, trazido na capa da Revista IstoÉ sob o título “Nasce o Anti-Lula“. A revista em si ignorou o maior acontecimento da semana, que foi o arquivamento da investigação sobre Michel Temer, para escancarar sua propaganda política a um pré-candidato à presidência. Pouco jornalístico, mas enfim, não é este o debate! Acontece que logo após secar a clara e gema que lhe escorriam pela cabeça, o “tucano” gravou um vídeo para suas redes sociais e, sabiamente, inflou ainda mais sua imagem de anti-Lula: “Esse é o caminho do Lula, do PT, das esquerdas, que querem isso. A intransigência, a agressividade, a tentativa de amedrontar e intimidar (…). Não há intimidação em parte nenhuma do Brasil. Os esquerdistas que querem o mal do Brasil, vão lá defender o Maduro e jogar ovo na Venezuela.” É, meu amigo, ele teve o que queria. O ovo na cara? Não, o combustível para crescer nas pesquisas eleitorais. Mas este não foi o maior mal que os manifestantes baianos fizeram.

Vi muitas pessoas que gosto e admiro – algumas mais próximas, outras não – comemorando e achando graça na ovada levada por Dória. Pergunto-lhes: e se fosse Lula, chamado para receber um prêmio, mas recebendo uma ovada na cabeça? “Raivosos! Antidemocratas! Fascistas!” Assim iriam vociferar os simpatizantes do ex-presidente. E sabe porquê? Porque teriam razão. Discordar das ações do governo paulistano – como a alegação de que mandou demolir prédios abandonados com pessoas dentro ou molhar moradores de rua enquanto dormiam -, não lhe dá o direito de agredir o político. Cercá-lo e hostilizá-lo já seria demais. Mas ovada?! A mesma truculência de que acusam membros do MBL, simpatizantes de Bolsonaro e etc, também se reflete às vezes em manifestantes da CUT, UNE e petistas. Por que apenas um lado é fascista e antidemocrata?! O que os difere? Nada, além da ideologia política. Ambos não suportam o diferente.

Não adianta levantar a bandeira da igualdade se você não consegue conviver com quem pensa diferente. A democracia está aí para que o debate de ideias aconteça de maneira republicana. Não no grito, ou na violência! E antes que surja o argumento da desobediência civil após o impeachment (ou golpe), desarme-se! Essa é apenas uma justificativa de momento. Reconheça que há muito tempo a esquerda usa de artifícios intimidadores contra adversários políticos. Ok, foi só uma bolinha de papel em José Serra (PSDB) durante a campanha de 2010 (e não uma pedra como apontou a perícia contratada por ele), mas não parece hostil demais – para não dizer infantilóide? Por exemplo, você deve ter achado falta de respeito quando houve protesto em frente ao prédio de Dilma Rousseff (PT), em Porto Alegre. Mas lembra de quando a ex-governadora Yeda Crusius (PSDB) foi hostilizada no portão de casa, ou de quando jogaram um coquetel molotov no prédio de José Fortunati (PDT), prefeito porto-alegrense? E aí, o fascismo é só quando ocorre contra os meus? Desculpa, mas não estou nessa! O ovo do fascismo também atinge João Dória. E amanhã pode atingir você também.

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